
{Ilustração do lobby com lareira modernosa do W Santiago}
Uma boa notícia para os numerosos leitores-amantes e futuros amantes de Santigo do Chile. Abre as portas na cidade amanhã, com quase meio ano de atraso, o primeiro hotel W da América do Sul. O que podemos esperar?
Uma notinha que editei sobre ele num especial da VT no começo do ano dizia assim:
Venha a mim o design
Grande carência da capital chilena é a hotelaria cool. Há o perfil executivo e o de decoração clássica às pencas, mas zero hotéis butique ou de design. Essa cena pode começar a se transformar com a inauguração, prevista para maio, do primeiro hotel W (Isidora Goyenechea, 3000, 947-2043, starwoodhotels.com) da América do Sul, a bandeira de “luxo descolado” da Starwood (rede dos hotéis Sheraton). O hotel, que já ultrapassou o custou de 150 milhões de dólares, vai ocupar do 3o ao 11o andar de um edifício multiuso na avenida mais agradável para o people watching no bairro El Golf – a Isidora Goyenechea. Viajantes que apreciam uma pegada mais moderna podem esperar 196 quartos – alguns com varanda, 20 deles suítes –, um lobby de 5 metros de pé direito, dois restaurantes assinados pelo chef francês Jean Paul Bondoux [dono do La Bourgogne, dentro do Alvear de Buenos Aires], mais uma filial do peruano Osaka, fusion com toques asiáticos. Uma disco-bar terá pocket shows e DJs convidados. As diárias de fim de semana devem girar em torno dos 320 a 420 dólares. [Atualização: simulando reservas pra dezembro, achei tarifas de US$ 249 o casal].
Mais tarde eu soube que o W também teria aqueles detalhes descolex como dock para o seu iPod, uma chaise-long ao invés da velha poltrona no quarto, janelões do chão ao teto, banheiro com chuveiro estilo “rainshower” e gracejos como o nome da suíte presidencial, a Extreme Wow Suite. (Pena que ainda não tenham liberado as fotos mesmo no site. Só ilustração).

{O quarto Cool Corner: com piscina ao lado da cama}
Muito bem. Só que essa notícia é só um começo de esperança para quem, como eu, torce pelo surgimento na capital chilena de hotéis que realmente valham o post.
Até costumo preferir um hotel de rede moderninho como o W a um hotel de rede de decoração clássica carregado de carpetes e cortinas estampados de verde e vinho. Mas o que eu gosto mesmo é de hotel de-não-rede.
Acho que o mood W é um passo adiante numa capital onde o mais bacana que se pode esperar é um conhecido padrão Ritz-Carlton — e a peso de ouro. Só que sua chegada não resolve a carência maior da hotelaria santiaguina: a de pequenos hotéis-butique, guest houses de charme ou pousadinhas autênticas. E de todas as faixas de preço.
***
Para quem concorda comigo, deixo aqui três diquinhas de hospedagem apuradas ano passado (e saídas do blog antigo) que se aproximam mais dessa pegada slow authentic — mas ainda não valem, como eu disse, um post inteiro. E pra quem gosta de luxo… não tem jeito. Considere um Ritz mesmo ou vá tentar uma suíte bacana do W (e depois volte aqui pra contar!)
1- Vila Franca
Uma guest house com oito quartos administrada com carinho pela dona, Glória. A casa fica numa rua tranquila de Providência, um bairro cheio de hotéis e restaurantes. A fachada com cara de vila francesa já é uma graça. Tudo lá dentro, da sala de estar com lareira ao quintal cheio de plantas, é meio provençal. Ladrilho hidráulico e madeira forram o piso. Cada quarto é diferente do outro, e cheios de detalhes interessantes tirados das revistas de decoração espalhadas por toda parte. Mas tudo clean, sem excessos. Ao redor das camas há tevê, mas não telefone – a recompensa é a internet wifi grátis. O toque final é o café da manhã: servido na sala de estar, ele muda a cada dia. Diárias pra casal a US$ 90.
2- Hotel Orly
Fica na rua Pedro de Valdívia, uma das mais centrais de Providência. O prédio é pequeno e simpático, com uma fachada linda e um café movimentadíssimo no térreo. O estilo da decoração é francês, com muito carpete e estampas florais, mas tudo cherosinho e com cara de novo. O hit é o jardim de inverno onde o café da manhã é servido, uma graça. E o dia todo um snack com café, chá, bolinhos e frutas fica à disposição dos hóspedes (sem custos extras). A estrutura é maior, com elevador, 5 andares, 28 quartos e um mini business center. Mesmo os quartos standard são espaçosos. Diárias pra casal desde U$ 100.
3 – Hotel Del Patio:
Tem três anos de vida e fica num casarão dentro do Pátio Bellavista: uma espécie de galeria comercial a céu aberto no meio do bairro boêmio da cidade, Bellavista, com bares, cafés e lojinhas. São dez quartos e um terracinho ao lado do salão de café-da-manhã: a estrutura se resume a isso. Eles se intitulam hotel design, mas eu diria: menas, minha gente, menas. A decoração é, sim, arejada e “da moda”: a cama é baixinha, estilo japonesa, o banheiro têm uma parede inteira de pastilhas verdes, a tevê é de LCD “pendurada” na parede por fios que vêm do teto, todos os espaços têm longas tábuas de madeira no chão e luminárias e sofás coloridos. Para entrar, é preciso tocar a campainha. É bom pra quem quer ficar no epicentro da balada: há o inconveniente do baruho. Diárias pra casal desde US$ 12o.
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