Procura-se hotel de charme em Santiago do Chile

Segunda-feira, Novembro 16, 2009 por Claudia Carmello


{Ilustração do lobby com lareira modernosa do W Santiago}

Uma boa notícia para os numerosos leitores-amantes e futuros amantes de Santigo do Chile. Abre as portas na cidade amanhã, com quase meio ano de atraso, o primeiro hotel W  da América do Sul. O que podemos esperar?

Uma notinha que editei sobre ele num especial da VT no começo do ano dizia assim:

Venha a mim o design

Grande carência da capital chilena é a hotelaria cool. Há o perfil executivo e o de decoração clássica às pencas, mas zero hotéis butique ou de design. Essa cena pode começar a se transformar com a inauguração, prevista para maio, do primeiro hotel W (Isidora Goyenechea, 3000, 947-2043, starwoodhotels.com) da América do Sul, a bandeira de “luxo descolado” da Starwood (rede dos hotéis Sheraton). O hotel, que já ultrapassou o custou de 150 milhões de dólares, vai ocupar do 3o ao 11o andar de um edifício multiuso na avenida mais agradável para o people watching no bairro El Golf – a Isidora Goyenechea. Viajantes que apreciam uma pegada mais moderna podem esperar 196 quartos  – alguns com varanda, 20 deles suítes –, um lobby de 5 metros de pé direito, dois restaurantes assinados pelo chef francês Jean Paul Bondoux  [dono do La Bourgogne, dentro do Alvear de Buenos Aires], mais uma filial do peruano Osaka, fusion com toques asiáticos. Uma disco-bar terá pocket shows e DJs convidados. As diárias de fim de semana devem girar em torno dos 320 a 420 dólares. [Atualização: simulando reservas pra dezembro, achei tarifas de US$ 249 o casal].

Mais tarde eu soube que o W  também teria aqueles detalhes descolex como dock para o seu iPod, uma chaise-long ao invés da velha poltrona no quarto,  janelões do chão ao teto, banheiro com chuveiro estilo “rainshower” e gracejos como o nome da suíte presidencial, a Extreme Wow Suite. (Pena que ainda não tenham liberado as fotos mesmo no site. Só ilustração).


{O quarto Cool Corner: com piscina ao lado da cama}

Muito bem. Só que essa notícia é só um começo de esperança para quem, como eu, torce pelo surgimento na capital chilena de hotéis que realmente valham o post.

Até costumo preferir um hotel de rede moderninho como o W a um hotel de rede de decoração clássica carregado de carpetes e cortinas estampados de verde e vinho. Mas o que eu gosto mesmo é de hotel de-não-rede. 

Acho que o mood W é um passo adiante numa capital onde o mais bacana que se pode esperar é um conhecido padrão Ritz-Carlton — e a peso de ouro. Só que sua chegada não resolve a carência maior da hotelaria santiaguina: a de pequenos hotéis-butique, guest houses de charme ou pousadinhas autênticas. E de todas as faixas de preço.

***

Para quem concorda comigo, deixo aqui três diquinhas de hospedagem apuradas ano passado (e saídas do blog antigo) que se aproximam mais dessa pegada slow authentic — mas ainda não valem, como eu disse, um post inteiro. E pra quem gosta de luxo… não tem jeito. Considere um Ritz mesmo ou vá tentar uma suíte bacana do W (e depois volte aqui pra contar!)

1- Vila Franca

Uma guest house com oito quartos administrada com carinho pela dona, Glória. A casa fica numa rua tranquila de Providência, um bairro cheio de hotéis e restaurantes. A fachada com cara de vila francesa já é uma graça. Tudo lá dentro, da sala de estar com lareira ao quintal cheio de plantas, é meio provençal. Ladrilho hidráulico e madeira forram o piso. Cada quarto é diferente do outro, e cheios de detalhes interessantes tirados das revistas de decoração espalhadas por toda parte. Mas tudo clean, sem excessos. Ao redor das camas há tevê, mas não telefone – a recompensa é a internet wifi grátis. O toque final é o café da manhã: servido na sala de estar, ele muda a cada dia. Diárias pra casal a US$ 90.

2- Hotel Orly

Fica na rua Pedro de Valdívia, uma das mais centrais de Providência. O prédio é pequeno e simpático, com uma fachada linda e um café movimentadíssimo no térreo. O estilo da decoração é francês, com muito carpete e estampas florais, mas tudo cherosinho e com cara de novo. O hit é o jardim de inverno onde o café da manhã é servido, uma graça. E o dia todo um snack com café, chá, bolinhos e frutas fica à disposição dos hóspedes (sem custos extras). A estrutura é maior, com elevador, 5 andares, 28 quartos e um mini business center. Mesmo os quartos standard são espaçosos. Diárias pra casal desde U$ 100.

3 – Hotel Del Patio:

Tem três anos de vida e fica num casarão dentro do Pátio Bellavista: uma espécie de galeria comercial a céu aberto no meio do bairro boêmio da cidade, Bellavista, com bares, cafés e lojinhas. São dez quartos e um terracinho ao lado do salão de café-da-manhã: a estrutura se resume a isso. Eles se intitulam hotel design, mas eu diria: menas, minha gente, menas. A decoração é, sim, arejada e “da moda”: a cama é baixinha, estilo japonesa, o banheiro têm uma parede inteira de pastilhas verdes, a tevê é de LCD “pendurada” na parede por fios que vêm do teto, todos os espaços têm longas tábuas de madeira no chão e luminárias e sofás coloridos. Para entrar, é preciso tocar a campainha. É bom pra quem quer ficar no epicentro da balada: há o inconveniente do baruho. Diárias pra casal desde US$ 12o.

Mais sobre Santiago neste blog:

48 horas em Santiago do Chile

Depois do sofá-cama, chegou o sofá-mala

Segunda-feira, Novembro 9, 2009 por Claudia Carmello

dzn_Suited-Case-by-Erik-De-Nijs-03

A pergunta de hoje, ainda na onda de design que tomou conta deste blog na última semana, é:

Naquele fatídico dia em que você tem que passar hooooras no aeroporto, o que você daria para ter malas que viram um sofá?

sofá-mala

A ideia de gênio foi do designer holandês Erik De Nijs. Trata-se de uma coleção de 4 malas que são conectadas para virar um sofá. Praticidade? Nada, o dono da obra jura que foi motivado por nostalgia mesmo.

Segundo ele, o melhor jeito de não sofrer saudades de casa em viagem é levar uma parte do lar com você. E nada mais familiar do que o seu querido sofázinho. A gracinha esteve em exposição na Dutch Design Week em Eindoven, no fim do mês.

Quer comprar? A empresa do cara é a Nieuwe Heren.  

(Notícia e fotos do Geeklogie)

Slow Buenos Aires: onde comprar design argentino

Sexta-Feira, Novembro 6, 2009 por Claudia Carmello

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Para encerrar essa série de posts preguiçosos, faltava dizer onde é que vale a pena gastar uma graninha (com cada real valendo dois pesos, fica irresistível), não?

Mas como a gente não é bobo nem nada, vai atrás das lojas de objetos, roupas, acessórios, até papéis assinados por artistas argentinos. (Porque grife internacional dá pra comprar até pela internet, sem nem sair de casa).

Lá vai uma seleção de endereços testados e aprovados para conhecer o design local:

La Mercearia 2

La Mercearia (Calle Honduras, 4799) : divertida loja de esquina com roupas, bolsas, cosméticos, óculos, chapéus, carteiras, luminárias, objetos. Ui, tem de tudo. E o segundo andar é só de produtos em promoção. Em Palermo Soho.

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Cualquier Verdura (Calle Humberto I, 517): móveis e objetos vintage, de panelas velhas a ioiôs, luminárias anos 50 e muita toy art. Em San Telmo. Já que está lá mesmo, dê um pulo na Tienda Palacio (Calle la Defensa, 926), perto da feirinha de antiguidades: é a melhor das multimarcas de objetos de design com que topamos em San Telmo.

Papelera Palermo 6

Papelera Palermo (Calle Honduras 4945): um clássico, a loja tem papéis especiais, caderninhos e agendas lindas, esculturas de origami, livros de arte, e ainda dá cursos de encadernação e várias oficinas. Os preços não são baixos. Em Palermo Soho.

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Sopa de Principes - Fabrica de Muñecos (Calle Thames 1719): loja engraçadíssima, só com bonecos, chaveiros, móbiles e até cachecóis de pano com a cara desses impagáveis bichinhos. Há também uma simpática série de monstros. Para dar de presente.

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Tienda Malba (Avenida Figueroa Alcorta 3415). Se não coube em sua viagem um rolê por Palermo Soho (pecado!), a loja do Museu de Arte Latinoamericana têm um resuminho (bem resumido mesmo) do que os designers locais produzem. Em Palermo.

E mesmo sem ter fotos, ainda recomendo:

Humawaca (Calle El Salvador, 4692), a loja de bolsas mais interessante de Palermo Viejo. Vende tudo “100% vaca”, como eles dizem (tudo argentino e tudo de couro). As cores e os modelos são super estilosos, de acabamento impecável, e nada perua! Dá vontade de comprar tudo.

Nadine Zlotogora (Calle El Salvador, 4638), loja dessa estilista argentina que faz um trabalho incrível com tecidos tecnológicos, babados, plissados, muito acabamento manual, tudo com uma cara mudernérrima – é lindo, mas não é fácil de usar, não.

***

Para ver outras fotos legais de algumas dessas lojas, dê um pulo no blog companheiro dessa viagem, o Que Bicho Me Mordeu.

 

Também dá pra consultar esse cartaz com o circuito de design porteño, exposto em várias dessas lojas. Fotografe com sua digital e use como mapa de navegação, como eu fiz:

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Slow Buenos Aires: nada melhor do que perder tempo em viagem

Quinta-feira, Novembro 5, 2009 por Claudia Carmello

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Se tem uma coisa que me encánta, como dizem os argentinos, é perder tempo em viagem.

Esse feriado que passou, por exemplo, resumiu-se a uma grandessíssima perda de tempo. E há maneira melhor de voltar ao trabalho revigorada?

Hoje eu estou aqui, correndo atrás de meus deadlines da semana, que não são poucos, tratando de ganhar o tempo até do almoço e do jantar.

Bar 6 8

Mas há três dias, não, há três dias eu estava bem feliz perdendo um tempo precioso lá no Bar 6 (Armenia 1676), dos meus lugares preferidos de Buenos Aires.

Em outras ocasiões, sempre passei lá apenas para um café com torta. Mas dessa vez, não, resolvi fazer a coisa certa. Perdi um tempo extra para almoçar. E que grata surpresa saber que o wok de vegetais estava al dente, crocante e saboroso. E que o frango recheado de brie ao molho de cogumelos e arroz de jasmin era tão reconfortante. Não é demais perder tempo para redescobrir o mesmo restaurante de sempre?

Bar 6 pollo relleno brie salsa hongos y arroz jasmin

Também perdemos um tempo indo novamente à feirinha de San Telmo, de domingo, que anda cada vez mais interessante.

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Nem digo a feirinha em si, mas as lojas divertidas que se instalaram pelas redondezas, entre elas a impagável Cualquier Verdura (Calle Humberto I, 517), de objetos e móveis vintage.

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Outro belo tempo perdido foi assistir mais uma vez a um show de tango. Dessa vez optamos por um menorzinho, sem grandes produças, dito mais autêntico e tradicionalíssimo, o do Bar Sur (Calle Estados Unidos com Balcarce), em San Telmo.

Ali perdemos também um pouco de dinheiro, é verdade. 150 pesos mais o vinho (a carta era bem mais inflacionada do que as dos restaurantes caros). Achei salgado. Ainda mais porque os dançarinos tinham uma mania irritante de nos ajudar a ganhar tempo a toda hora, parando o show no meio para nos convidar a aproveitar a visita e ainda aprender uns passinhos de tango. A cantora às vezes parava a música para nos ensinar a cantar os refrões.

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Mas tirando essas desnecessárias tentativas de eficiência, o show foi o tipo de tempo perdido que eu gosto: bom tango instrumental, depois belo vocal, sem microfone, do tocador de acordeon, belas jogadas de pernas dos dançarinos no chão à nossa frente, sem palco, sem lantejoulas, entre pouco mais de dez mesas e – o melhor – sem jantar.

Um pouco do resto você já deve ter lido nos outros posts. Perdemos algum tempo demorando um tempo extra pra sair de casa, só pra curtir um pouco mais o apartamento-achado que alugamos. Perdemos tempo tomando café aqui e chá ali.

A chuva também foi uma aliada e tanto. Como choveu quase todos os dias, sempre perdíamos um bom  tempinho em cada lugar que entrávamos. A desculpa era evitar empapar ainda mais a barra do jeans.

Calma Chica

{Gui perdendo um tempo delícia na loja Calma Chica).

Foi tudo lindo.

E não é que a única vez em que resolvemos ganhar tempo – indo à exposição do Andy Warhol no  Malba (Avenida Figueroa Alcorta 3415), assim já economizávamos a ida à Pinacoteca do Estado, em São Paulo, pra onde a mostra vem em março do ano que vem – nos demos mal? Tava fraquinha, um tanto insossa.

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Mas tudo se reverte: logo tratamos de perder o tempo ganho, passando uma boa meia hora no café do Malba – um charme – e revendo a mostra permanente do museu – essa sim, imperdível. 

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Porque ganhar tempo eu ganho em casa, né não?

***

E as suculentas carnes argentinas? E os vinhos? Deixo essa parte da cobertura da viagem para os adoráveis aficionados pelo assunto, meus amigos Anna e Demian, do Que Bicho Me Mordeu. Passem lá.

 

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Slow Buenos Aires: um chá no lugar mais fofo de Palermo Viejo

Quarta-feira, Novembro 4, 2009 por Claudia Carmello

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{Na vitrine, buquês de rosas com frases sobre beijo}

Não tem outro jeito de descrever. O El Ultimo Beso (calle Nicaragua, 4880) é o lugar mais fofo de Palermo Viejo. E descobrimos assim, por sorte, a duas quadras de casa.

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Se você está na cidade com amigas mulheres, cuidado: será capaz de passar hooooooras nessa casa de chá toda decorada com buquês de rosas brancas e porcelanas antigas de motivos florais. (O Gui não chegou a reclamar, mas sei que passar mais de meia hora ali sentado, pra ele, seria um castigo).

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Além de servir cafés, bolos, biscoitos e afins, eles têm uma carta de chás muito simpática: cada sabor é inspirado numa cena de beijo de clássicos do cinema e leva o nome do filme. No menu, você vê a foto do beijo e os aromas de cada blend. Tem de E o Vento Levou e Cinema Paradiso a Antes do Amanhecer  (esse da foto, que eu tomei).

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E ainda tem mais. Nos outros cômodos da casa ficam um restaurante, um jardim gracinha e duas salas recheadas de produtos à venda, de xícaras e bules de porcelana Limoges antiguinhos (desde 75 pesos a xícara de café) a roupas, acessórios e miudezas para enfeitar a sua casa: é escolher de dentro dos armários (por unidade mesmo) ou de cima das mesas decoradas e arrematar.

Não é muito mulherzinha?

PS: Quando eu fui ao banheiro e dei de cara com uma linda cadeira de veludo Luís XV (ou XIV, ou similar) e uma banheira retrô de pézinho, branca, cheia de água e com rosas imensas de todas as cores boiando nela… quase capotei. Fofura pura!

 

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Slow Buenos Aires: livro, café, chuvinha lá fora

Domingo, Novembro 1, 2009 por Claudia Carmello

Boutique del Libro

Primeiro você entra lá pra comprar a Time Out Buenos Aires. Ou será que foi pra tomar um café?

Então dois cafés en jarrito (numa xícarazinha alta, de vidro) e um capuccino chegam à mesa.

Boutique del Libro 2

A Anna começa a selecionar entre as resenhas da revista os lugares novos que a gente quer conhecer. O Demian vai anotando tudo com bolinhas no mapa, um folhetinho que de repente vira um roteiro promissor. O Gui pega um livro sobre a história das grandes epidemias do planeta (!?).

Ah, começa a chover. Então nos olhamos: pois é, vamos ter que ficar aqui mais um pouco.

Chegam novo café, novo livro, um se muda para o sofá, o outro vai olhar os menus frugais do almoço (empanadas, saladas, tudo coisa simples) e repara: ” hi, tem também um salão com mesas”.

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E por pouco não passamos meia tarde na Boutique del Libro (Calle Thames, 1762), a poucas quadras de casa, em Palermo Viejo (dica da querida amiga Fê).

Êta vida boa.

 

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Slow Buenos Aires: o apê alugado

Sábado, Outubro 31, 2009 por Claudia Carmello

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{Janelões e vista para um jardim vertical: lindo, lindo, lindo}

(Interrompo o relato da viagem a Zanzibar para blogar ao vivo de Buenos Aires. Por três chuvosos, porém felizes dias).

Por que voltar sempre aqui? Por que ficar de olho nas promoções de passagens aéreas só pra poder cacifar mais uma feriadinho na capital argentina?, me pergunto.

Acho que é porque Buenos Aires te convoca ao slow travel. É uma cidade onde flanar pelos bulevares arborizados e tomar cafés e mais cafés entre as vitrines de Palermo Viejo já vale a viagem (além  de algumas colheradas de dulce de leche, claro). 

A primeira atitude a tomar para viajar nessa toada aqui é alugar um apê. E como estou encantada com o meu dessa vez! Um predinho na Nicaragua com a Borges, a 3 quadras da Plazoleta Cortazar, em Palermo Viejo. Simplesmente dá pra fazer TUDO a pé.

(Chegamos ontem quase à meia-noite, caminhamos duas quadras e, pronto, bifão de chorizo ancho, bifão de tira e ojo de bife no Don Julio – com batatas e duas garrafas de vinho bom, saiu a 50 reais por pessoa).

Estamos nos sentindo em casa.

Olha o quarto;

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o banheiro;

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a sala cheia de bossa;

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não é demais?

Quanto morre? 690 dólares por uma semana, para dois casais: são dois quartos com varanda, ar condicionado, cama box, dois banheiros, sala e cozinha, tudo um fofura e super confortável. Metade do preço de um hotel barato. Lindo.

O Gui até já perguntou pro cara da imobiliária, a Byt Argentina, quanto custa pra comprar. Hahaha. 150 mil dólares.

Acho que gastar 350 pra vir uma semana por ano já me faz bem feliz.


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Você sabe que está em Zanzibar quando…

Sexta-Feira, Outubro 30, 2009 por Claudia Carmello

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{O kikoy, a tanzanita, o saquinho de spiced tea, a cumbuca de madeira e as favas de baunilha: very very zanzibari}

1-Todas as criancinhas de Stone Town prestam muita atenção em você e, quando chegam perto, te olham com aquele sorrisinho maroto e dizem: jambo! (oi, em swahili). Na sequência, ainda podem te gritar “mzungu!” (gringo).

2- Não se vêem homens de bermuda e quase nenhuma mulher sem véu na cabeça.

3-Você encontra suco natural de frutas em qualquer esquina. Parece perfeito. O difícil é achar suco de UMA só fruta. A moda local é o tal suco ”mixed” (normalmente de maracujá com abacaxi mais manga). E se você pergunta “mas quais são as frutas desse suco? Não dá pra fazer só de uma delas?”, eles te respondem “they are TROPICAL fruits, you’ll like it!” (Como quem diz: pra gringo, sendo fruta de verdade já é o máximo).

4- Você ouve a expressão hakuna matata (no problem) pelo menos uma vez a cada três frases da conversa com um beachboy (carinha que te aborda na rua oferecendo tours guiados, se você diz não, oferece táxi, se diz não, camisetas piratas da seleção da Tanzânia, se diz não, maconha… e por aí vai).

5- O epíteto “Ilha das Especiarias” não é mera jogada de marketing ou desculpa pra vender quilos de caixinhas de cravos, cominhos e cardamomos como suvenir. Tudo que te servem vem condimentado mesmo (não necessariamente apimentado, mas cheio desss temperos). O chai (chá), que eles tomam o dia todo, tem spices. As comidas, arrozes, peixes, samosas dos restaurantes, têm spices. Até o suco mixed de frutas fácil fácil virá temperado com gengibre – e ninguém avisa. Eu delirava. Mas quem não gosta de nada picante, é bom alertar sempre antes (só não garanto que vá funcionar).

6- Você fica surpreso ao abrir um cardápio após o outro e achar muuitos pratos da cozinha indiana – as trocas comerciais e culturais com o “vizinho” do outro lado do Índico são mais intensas do que se imagina.

7- Não se vê uma só mulher local sozinha pela rua, assim, de bobeira. Quem está na rua é porque está cumprindo alguma tarefa – normalmente, compras.

8- As mesquitas lotam cinco vezes ao dia, após o chamado para a reza vindo dos minaretes – é emocionante ouvir o chamado, mas turista não pode entrar nos templos, não.

9-Você não pode evitar a apreensão ao caminhar pelos becos escuros e labirínticos do souk, o bairro comercial tipicamente árabe que domina o centro de Stone Town, depois que escurece. (Eu confesso que, nas primeiras horas, mesmo de dia eu ficava tensa). Mas aos poucos você entende que, sim, é seguro.

10- As vitrines das melhores lojas estão cheias de jóias e gemas de tanzanita, a pedra preciosa azul escura e rara, só encontrada aos pés do Kilimanjaro. Ela já é chamada de “pedra da geração”: as minas só devem durar essa.

11- Depois de muita barganha, você acaba levando um produto por menos da metade do preço anunciado – é por isso que você voltará pra casa com mais kikoys (a canga local), saquinhos de chá e favas de baunilha do que manda o bom senso.

12- Mesmo que já chegue ali sabendo da história local, você demora um pouco a juntar o quebra cabeça da mistura cultural alucinante que é Zanzibar: África Negra, mundo árabe, cozinha hindu, mão inglesa etc. É demais! (Por isso, não deixe de reservar um par de dias para a capital, Stone Town. Nas praias, essa miscigenação doida é pouco percebida.)

 

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Quarta-feira, Outubro 28, 2009 por Claudia Carmello

Beyt Al Chai cama
{Nossa cama no hotel Beyt Al Chai, em Stone Town}

No post passado eu disse que era muito natural que um membro da tribo Massai, do Quênia, trabalhasse num hotel em Zanzibar, na Tanzânia. Sabe por quê?

Veja só as recomendações que um turista encontra por todo lado quando chega em Stone Town – aqui, retiradas do mapinha oficial de Zanzibar que você compra nas lojas de suvenir:

- Não ande por Stone Town nem outras cidades e vilas em Zanzibar vestindo biquínis e minissaias. Pede-se a todos os turistas o uso de roupas recatadas, em respeito à fé islâmica da maioria dos habitantes da ilha. Mulheres devem cobrir os ombros e vestir calças ou saias que alcancem abaixo do joelho. Homens não devem andar sem camisa.

- Não faça topless nas praias de Zanzibar. Biquínis e roupas de banho são aceitáveis (sic) em praias turísticas, mas não se há pescadores ou catadores de algas por perto.

- Lembre-se que durante o mês de Ramadã, enquanto os muçulmanos estão jejuando, é considerado o auge da falta de educação comer ou beber na rua ou em locais públicos.

- Lembre-se de pedir permissão antes de tirar fotografias de pessoas e casas particulares.

- Não se esqueça de que Zanzibar é uma sociedade islâmica. Apesar de o álcool estar livremente disponível nas ilhas, o “comportamento embriagado” não é visto com tolerância e é considerado ofensivo pela maioria das pessoas.

Old Fort
{O Omani Fort, de 1701, em Stone Town: símbolo da expulsão dos portugueses pelas tropas de Oman}

E o que isso tem a ver com os massais?

Bom, depois de ler essas e outras recomendações, dia após dia, em tantos lugares, e ver vários turistas as ignorando, especialmente quanto às restrições a regatinhas e minissaias, é inevitável: uma hora você se pega pensando: “catzo, não agüento mais tomar pito desses folhetinhos. Parece que a gente é um estorvo aqui na ilha”. 

E de certa forma, é mesmo. Trazemos o dinheiro do turismo, que o povo, bastante pobre, precisa. Mas também incomodamos com nossos costumes “infiéis”, nosso espalhafato, nossos óculos escuros de astro de TV. (Eu aguentei firme o calor e mantive ombros e coxas cobertas o tempo todo). E, pior, com nossas câmeras de lentes compridas batendo flashes na cara deles.

House of Wonders
{The House of Wonders, de 1883: parte do conjunto arquitetônico de Stone Town, Patrimônio da Humanidade}

E olha que curioso: depois das nossas estadias nas praias de Matemwe e Mnemba, percebemos que não tivemos contato com praticamente nenhum funcionário de hotel muçulmano.

Ora, se 99% dessa ilha é da turma de Alá, como é que todos os camereiros, garçons, cozinheiros dos hotéis são católicos? E, mais intrigante, eles também eram moradores das comunidades daquelas praias.

A verdade nós descobrimos conversando com nosso motorista do traslado de volta do Mnemba a Stone Town: a grande maioria dos locais, muçulmanos, da ilha se recusa a trabalhar com os turistas, nos hotéis.

Basicamente porque nós estamos sempre seminus, bebemos álcool e comemos carne de porco regularmente (nham!).

Beyt al Chai estar
{Sala de estar do Beyt Al Chai, onde mantinhamos nosso comportamento “sóbrio” tomando – adivinhe? – chai}

Como resolver a questão, se a ilha vive basicamente do turismo? Trazendo funcionários da mainland, como eles chamam a porção continental da Tanzânia. Ou, por que não, do Quênia? Daí os massais serem relativamente comuns como funcionários na hotelaria de Stone Town. Como esse movimento migratório tem sido sistemático nos últimos anos, já existe uma boa quantidade de tanzanianos católicos integrados nas comunidades de praia.

E sabe o quê? Essa foi a primeira viagem que eu fiz em que minha condição de turista era completamente indisfarçável. Era Ramadã, a homarada tava toda na rua, meio na preguiça, em jejum, e simplesmente todos ficavam nos filmando, pra onde quer que fôssemos.

Eu sentia tanto o climão no ar que não fui capaz nem de fazer menção a fotografar qualquer pessoa na rua. Sentia como se fazer isso fosse um ato obsceno. A não ser que eu me tornasse minimamente íntima de alguma pessoa e pudesse pedir respeitosamente autorização para a foto.

Stone Town1
{Já cliques das lindas portas da cidade, muito típicas, dava pra fazer sem galho}.

Como eu gostaria de ter fotografado alguma das tantas mulheres de burca que vi pelas ruas, naquele calor de 38 graus. Como todas andavam olhando pro chão, a aproximação ficava difícil, e era impensável eu levantar a câmera de supetão e clicar.

É como se um gesto desses fosse reforçar a ideia de que nós, turistas, em nosso estado natural, não temos respeito pela cultura local. E por isso precisamos de tantos códigos de conduta escritos em todos os lugares.

Levantar minha câmera para uma daquelas mulheres era como um símbolo do turismo insustentável. Preferi registrar aqueles olhos pretos escondidos sob o véu preto só na minha memória.

Stone Town porto
{O porto e seus velhos canhões: hoje não chegam mais inimigos por essas águas, só turistas vindos com a balsa de Dar-es-Salam}

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Segunda-feira, Outubro 26, 2009 por Claudia Carmello

masai porta

Então nós chegamos a Stone Town, a exótica capital de Zanzibar, 99% islâmica e Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Era Ramadã, era fim de tarde e nós estávamos ansiosos pelos primeiros sinais de islamismo que nos aparecessem pela frente — em uma semana de praias paradisíacas na ilha, eles se fizeram discretíssimos.

Chegamos ao hotel e nossos olhos foram capturados pelas roupas berrantes dos bellboys. “Olha que vermelho, que colorido, e olha esses chinelos com um espeto ereto saindo da tira entre o dedão e o segundo dedo e, calma, mas isso não tem nada de muçulmano, eles mais parecem… massais?”

masai 1

Pois sim. Não havia um, nem dois, mas três funcionários massais no hotel. Genuínos, membros das tribos nômades do Quênia, lá da região do Parque Nacional Maasai-Mara. Eu procurando os 99% muçulmanos e topo logo com os zero ponto alguma coisa porcento índios. Inusitado.

Mas o que eles estavam fazendo de carregadores num hotel em Zanzibar?

Amanhã conto mais. Mas logo entendi que fazia muito sentido a presença desses “outsiders” ali.

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