
{Arrecifes: que vontade de ficar aqui}
No último dia do ano, 31 de dezembro, também último dia baseado em Taganga, resolvemos ir ao lado leste e mais interessante do Parque Tayrona.
A logística era tranquila. Acertamos tudo no albergue dos nossos amigos, o simpático Divanga. Uma van nos pegaria no hotel e levaria até a entrada do parque, a uma hora de estrada. De lá encararíamos uma trilha de 45 minutos até Arrecifes, a praia mais ban-ban-ban. Ida e volta de van custava 30 mil pesos por pessoa (uns 30 reais). E a taxa de preservação do parque, mais 34 mil pesos (para colombianos era bem mais barato, uns 12 mil, acho).
Da portaria em diante, felizes em encontrar a floresta verdinha depois de tanta vegetação árida, íamos a pé. Eu fui esperando uma trilha fechadona no meio do mato. Fui de havaianas mas com o tênis na mochila, para garantir. Ainda tinha lido no meu Lonely Planet que rolava muita cobra no parque, e que se você fosse picado, não era pra deixar ninguém te levar a Santa Marta – muito longe, enquanto a própria administração do parque tinha soro antiofídico, embora pouca gente saiba. Por via das dúvidas, nem comentei o fato com o povo, pra não ter desistência.
Chegando lá, a trilha era um sossego. Quase uma estrada de terra aberta no meio da floresta. Bom, de terra é bondade minha, na verdade era uma estrada de lama e estrume. Como o jeito mais barato de chegar nas praias daquelas bandas era pela trilha (de barco, se a gente viesse de Taganga, daria uns 100 reais pra cada um), jumentos e cavalos eram usados como carregadores de tudo – de água para o boteco da praia às malas da galera que ia se hospedar dentro do parque. E também do povo que tinha preguiça de fazer a trilha.

{Taí o motivo de tanto cocô no meio da lama… argh!}
O trajeto era leve, mas o cheiro de estrume era um horror. Para ajudar a aguentar firme, plaquinhas no meio do caminho atestavam sua evolução:
A chegada era triunfal. Um imenso gramado com coqueiros altíssimos, um restaurante bonitinho, e uma praia extensa, mas de paisagem nada monótona: um mar bravíssimo, areia fofa, uns pedrões no meio dela, ilhotas no mar, uma lagoa, coqueirais. Demais.
O chato era não poder nadar. O mar era tão bravo – o nosso motorista da van já tinha advertido – que 200 pessoas já tinha se afogado lá. Quando tentamos entrar só até a coxa, para dar uma refrescada do calor de matar, um guarda-parque veio apitando e nos botando pra fora d’água. Bem que a plaquinha tinha avisado:
Não só a paisagem era linda, como o clima da praia era delicioso. Pouca gente, uns burricos passando com as bagagens, um camping simpático, dava muita vontade de ficar ali. Foi inevitável a ponta de arrependimento por ter escolhido Taganga como base. Mesmo que ali fosse isoladaço, com certeza sem balada de Reveillon e sem opção de restaurante de noite, o lugar era um paraíso.
O impedimento de mergulhar nem era grave. Caminhando para o lado esquerdo, logo se chegava a uma praiota, chamada Piscinas, onde dava pra cair na água. É claro que meu marido já foi achando que dava pra mergulhar logo na lagoa de Arrecifes, que parecia tão calminha.
E já ia caminhando para a lagoa, ao lado dos burricos. Só deu meia volta por causa da minha insistência. Não era muito estranho não ter nem uma criatura humana ali dentro, mesmo com aquele calorão? Devia ter algum motivo muito bom pra isso, não?
Tinha mesmo. Caymanes. (Jacarés. Rá).
Dali fomos andando pra Piscinas. Azar, naquele dia ela também estava proibida para banho. O vento e o mar estavam impossíveis.
Comemos uma arepa sensacional numa barraquinha entre uma praia e outra.
Mais 30 minutos de caminhada por uma trilhinha quase à beira mar e chegamos em Cabo San Juan del Guia, a base mais movimentada para quem vai ao lado leste de Tayrona. Há alguns restaurantes simples, cabanas e campings.
A praia era linda e boa pra mergulhar. Um pouco mais cheia que as outras, mas ótima.
Ótima pra perder a hora também. Na empolgação, acabamos calculando mal o tempo da trilha de volta. Tínhamos que estar na entrada do parque para pegar a van às 15h. Cedo, porque ainda queríamos dar uma dormida aquele dia pra estar novos pra virada. Não nos demos conta de que a volta iria demorar quase 1h30, saindo de Cabo. Ainda paramos no meio do caminho pra fotografar os macaquinhos tití.

{A foto da placa saiu melhor que a do bicho}
Conclusão: fizemos a trilha de volta quase correndo, desviando dos burricos e cavalos que atravancavam o caminho, e mesmo assim chegamos uns 40 minutos atrasados na van. Ainda bem que aqui não era a Suíça. O motorista não só não ficou puto com a gente, como ainda pediu aos guardas da portaria que avisassem de seu atraso para a pobre menina que ele tinha que buscar ali dali a uma hora. (Duvido que tenham avisado, convenhamos).
Viva a Colômbia, viva o último dia do ano. 2010 estava chegando, e a gente com o pé direito a postos.
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