Essa semana a ONG Consumers International deu cartão vermelho para a easyJet, colocando a cia. aérea low-cost inglesa entre as campeãs do prêmio Piores Empresas 2009 .
A notícia quem deu foi meu amigo Léo, do Blog do Sakamoto. Esse ano o tema do prêmio foi o greenwash: as campanhas enviesadas com que muitas empresas tentam nos convencer de como são boazinhas com o meio ambiente (a definição do Saka é bem melhor que a minha).
A balela da easyJet foi alardear que seu aviões são mais econômicos que um carro híbrido Toyota Prius.
Uia. Eu mesmo já postei sobre a propaganda sustentável da easyJet. Você senta lá na poltrona deles (acho que meu vôo era um Milão-Atenas) e lê no cartão laranja: “nós temos aeronaves mais eficientes, nós voamos com 85% de ocupação, mais do que as aéreas tradicionais – e isso economiza 27% em emissões de gases estufa por passageiro/km”.
Ainda bem que sempre tem uma ONG fiscalizando o que para o consumidor normal passa batido. Porque a história do carro híbrido é pega-trouxa. Tudo começou com a aérea colocando no seu site a seguinte tabelinha:
Daí, nesse verão europeu, a BBC desmascarou a história no documentário Britain’s Embarassing Emissions. A malandragem é que empresa faz as contas com o avião lotado – quando a ocupação anual é de 85% – e com um Prius que tenha um só passageiro a bordo – a média britânica (e usada para todas as estatísticas de emissão de gases-estufa no país) é de 1,6 passageiros por carro.
Moral da história: fazendo contas honestas, um voo lotado da easyJet emite por passageiro 4 vezes mais CO2 por quilômetro do que um Prius lotado (com 4 passageiros).

{Foto nada tendenciosa do Prius. He. Só vacilaram em colocar um passageiro só; quatro pegaria bem melhor}
Com o furdunço, o porta-voz da empresa prometeu tirar a tabelinha enganosa do ar, mas necas. O Guardian repercutiu o documentário, fez os cálculos e confirmou a pataquada. Ainda mostrou que todas as outras alegações verdes da empresa são bem da safadas.
Prato cheio pra Consumers dar a paulada nos caras com o prêmio Piores Empresas. Que enrosco, meus filhos, que enrosco.
Eu ainda prefiro defender o trenzinho, o bumba, a bike, até o carro cheio pra viajar pela Europa. Trechos aéreos, o mínimo possível. E nem precisa ser por motivos de consciência ambiental.
Quem é que gosta de esperar horas em aeroporto? De tirar o sapato, o cinto, o relógio, o laptop e ainda jogar fora o alicatinho da mala de mão na hora do raio-X? Quem se sente bem naquele ar-condicionado tenebroso e com aquele barulho de turbina, aquele cheiro, aquele ar viciado do avião? E o jet lag? E você naquela poltronica indecente enquanto tem um bacana com uma cama inteira e chocolates Godiva lá na primeira classe?
O avião é o mal necessário de quem curte slow travel. E baita pegada (anti)ecológica do viajante.



sexta-feira, dezembro 18, 2009 às 23:20 |
MelllDells! Que bêsurdo! Muito bom você repassar isso!