Coma seu destino: hoje, Gonçalves na panela


{Fome de Gonçalves}

Tem uma nova palavra de ordem na Europa que é o “Coma Sua Paisagem” . Aliás são duas: tem “Comida Km Zero”  também (esse pelo menos na Itália, meu pai tava me contando dia desses). 

O Coma Sua Paisagem é um manifesto contra a monocultura e a produção industrial de alimentos (dou o MAIOR apoio). Por exemplo: um morador de Iowa, nos EUA, se for comer sua paisagem, só come milho, coitado, porque o estado é um planeta de monoculturas de milho sem fim.

Se o iowenze estiver a fim de umas laranjas, umas alfaces, vai ter que mandar vir lá da Califórnia, porque nenhum vizinho produz isso. E, ainda que ele seja um idealista, um adepto da comida orgânica por preocupação com a sua saúde e a da terra também, não vai ter a chance de praticar a alimentação “Km Zero” – comer o que é produzido pelos agricultores da sua cidade, o que não tenha viajado nenhum km (simbolicamente) até a sua casa. Nosso iowense vai ter que se mudar, pobre.


{Fome de morangos} Foto do Le Gourmet Bistrô

Bem, tudo isso pra dizer que, depois de quase dois anos enrolando, eu finalmente providenciei a minha cesta semanal de Orgânicos da Mantiqueira. Uma boa parte deles, orgânicos da charmosa Gonçalves.

É assim: você se cadastra e recebe uma lista dos produtos da semana por e-mail. Pede e te entregam em casa – sem taxa de entrega. Veio alface, azedinha, mandioca (descascada e no vácuo), manga, manjericão, couve-flor, cenoura e vagem. Passei a semana toda comendo Gonçalves (quase km zero e quase minha paisagem,vai, considerando que moro em São Paulo).

Pra semana que vem pedi alface, tomate, cebola, cheiro verde, banana, ameixa, lichia e tofu (isso tudo era item avulso, fora da cesta, então cabe taxa de entrega de R$ 5).

E tá me dando uma vontade de pegar o carro e ir passar o findi na Mantiqueira. Com esse tempinho chuvoso, ainda mais.

Pra entender do que eu tô falando, posto aqui o texto do fim de 2007 em que contei sobre essa grande sacada.

 

Como comer (e ajudar) o seu destino à distância

Todo mundo tem aquele lugar especial na cabeça: você viajou pra lá, se apaixonou, e insiste em querer manter algum contato, um pezinho lá. Você sempre dá um jeito de saber o que tá rolando, o que tem de novo, como estão as atrações que você amou… Quando é um destino de natureza, fica sempre aquele sonho de que a cachoeira continue cristalina, sem muvuca, que o verde siga bem verde, aquela comidinha caseira, sempre caseira, feita pela família que nasceu ali e continua ali firme e forte.

Falei no post passado de Gonçalves, na Serra da Mantiqueira, a simpática cidadezinha mineira com uma paisagem es-pe-ta-cu-lar e cheia de lugarzinhos aconchegantes. Tudo isso aí de cima eu tô sentindo por Gonçalves agora. E sabe que tem um jeito de ajudar a manter seus encantos e, melhor, sentir até seu sabor na boca?

Que tal receber em casa toda semana uma cesta de frutas e legumes orgânicos de Gonçalves? O lugar despontou como um centro dessa agricultura que não usa fertilizantes sintéticos, mantém a biodiversidade do solo, respeita os ciclos biológicos da terra e ainda pode fazer bem melhor pra sua saúde. Os produtores locais vendem tudo na feirinha de sábado de manhã, no centro da cidade, e organizam um festival em julho, o Inverno Orgânico. Nele os restaurantes locais apresentam pratos especiais com os ingredientes, você vista as propriedades, conhece receitas etc.

O mesmo grupo organiza a entrega das cestas de hortaliças na sua casa. Você come melhor e ajuda um projeto bacana a se manter de pé. Só vale pra quem mora em São Paulo e arredores, e as informações estão no site. Cada semana vem uma cesta com 10 itens variados [agora já tem também a cesta de solteiro, menor, e vários itens avulsos], já montada: você recebe antes por e-mail quais são os itens – se morango, se kiwi, se couve-flor, e decide se encomenda ou não. Não é uma delícia?

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6 Respostas to “Coma seu destino: hoje, Gonçalves na panela”

  1. Mari Campos Says:

    Olha so! Dessa eu nao sabia… vou aderir a ideia tambem ;-)

    • Claudia Carmello Says:

      Eu tô adorando, Mari. Por causa das chuvas, alguns pedidos estão vindo diferentes porque alguns produtos não ficam bons e eles precisam mudar a cesta em cima da hora. Eu tinha pedido ameixa, por exemplo, veio manga. Mas não tem problema. Chega com um gostinho de Mantiqueira que já me deixa feliz. Fora que não tô encarando mais comprar no super hortaliça e fruta que não seja orgânico, saca?

  2. Nélio Says:

    Oi Cláudia,
    Desta vez não é Santiago… rs…
    Eu divido meu tempo entre São Paulo e Guaratinguetá, no Vale do Paraíba. Ou seja, de um lado tenho a Mantiqueira e do outro a Serra do Mar (em especial a estrada que vai para Cunha e Paraty), em boa parte de minha semana.
    Também curto o conceito de sustentável e de boa alimentação, inclusive orgânica. Mas te juro uma coisa… Tenho mais acesso a produtos orgânicos aqui em São Paulo, que em Guaratinguetá… Aliás, frequentemente levo produtos daqui de São Paulo para lá…
    Só para você ter uma pequena noção da dificuldade, em Cunha (45Km de distância de Guará) tem plantações de cogumelos Shitake e outros! Há anos que tento encontrar quem me venda isso, pois toda a produção vem para São Paulo (informação que me deram). O mesmo ocorre com outros produtos!
    Vou ver se esse pessoal entrega em Guaratinguetá, afnal, no site deles, eles afirmam distribuir para Taubaté, que fica a 40Km de Guará… Mas, Guará é no sentido do Rio, e nâo de Sampa, e talvez a logistica deles não deva me atender… Mas não custa tentar!

    Ah… Aqui em Sampa, você deve saber, um lugar bacana para conseguir orgânicos é a feirinha do Parque da Água Branca. De quebra tem-se um passeio no parque!

    Abraços!

    • Claudia Carmello Says:

      Excelente comentário, Nélio! Tá vendo como precisa de uma campanha mesmo? Porque em muitos casos simplesmente não existe o canal de distribuição pra todo mundo que quer comer orgânico e km zero. Olha que contrasenso: você mora do lado do produtor de shitake, mas o shitake dele precisa ser transportado até o supermercado de São Paulo pra você comprar e levar de volta. O movimento Comida Km Zero quer fortalecer o comércio local, fazer com que você possa comprar direto do produtor, que você possa se informar melhor sobre o que come – é só perguntar pra quem cria, oras – e pra evitar o desperdício de toda a gasolina que transportou esse shitake à toa.

      A melhor solução para as cidades onde cresce a demanda por orgânicos é estimular as feiras regionais de agricultores. Mas muitas vezes é mais fácil, digamos, o Pão de Açucar da cidade começar a vender orgânicos (um shitake que pode ter saído de Cunha, ido até a central de distribuição em outra cidade e voltado a Guará) do que rolar uma feira dessas.

      Por isso que eu desejo vida longa às iniciativas como a dos Orgânicos da Mantiqueira.

      E obrigada pela dica da feirinha do Parque da Água Branca!

  3. FABIO ALEX Says:

    vcs vendem moramgo ? qual o preço?entregam?

  4. R! Says:

    Olá!
    Curti muito a dica e postei um linkzinho no meu blog, blz?
    Nem acredito que passei por lá e não vi esse lugar!
    Valeu!

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