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Ilhabela (e o litoral norte paulista) em apuros

segunda-feira, julho 20, 2009

Jabaquara ILhabela
{A Ilhabela como a gente quer: com praias super preservadas como Jabaquara. Foto de Nicole Kryss}

A Ilhabela é o lugar mais bacana do litoral paulista, né não? Tem o Bonete, a praia de Jabaquara, Castelhanos, a Semana da Vela, o Festival do Camarão, pousadas de-li-ci-o-sas, trilhas lindas, não tem prédios, não tem muitas ruas/estradas. E tem uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica do Brasil:  85% das florestas da ilha são protegidas por parque ecológico, uma raridade.

Por isso, é evidente: alguém pode ser contra priorizar a preservação da Ilhabela (e do resto do já degradado litoral de São Sebastião?) Mas aí vem a velha disputa do desenvolvimentismo x defesa do meio ambiente e de repente dois e dois não são mais quatro. A bola da vez (há muito tempo) é a ampliação do Porto de São Sebastião.

Para os viajantes conscientes e amantes de todo o litoral norte paulistano, conto aqui um resuminho da m… em que a região pode se transformar em poucos anos.

Foto Exemplo Porto de Containers[1]
{A Ilhabela como ela pode ficar: cheia de “prédios” de contêineres, poluída, cinzenta. Do site do Movimento Nossa Ilha Mais Bela}

Em resumo

Por que a obra?
Porque o Porto de Santos já opera quase no seu limite e é muito mais fácil e barato escoar mercadorias produzidas no Vale do Paraíba, Campinas e arredores, por São Sebastião, ao invés de Santos. Por isso, o plano é aumentar em até 30 vezes a capacidade do Porto de São Sebastião.

Por que combatê-la do modo que foi proposta?
Porque o projeto está bem longe de qualquer idéia de sustentabilidade, e terá impactos-monstro não só pra natureza, mas pra população de hoje (e a de amanhã, e a de turistas também) de São Sebastião e Ilhabela.

Em fatos rápidos

O quê?
A área construída do porto vai dobrar (chegar a 1 milhão de m2, tamanho de 3 centros históricos de São Sebastião). Ao invés de quatro navios atracados ao mesmo tempo, serão 18 (e de muito maior porte do que hoje).
Na prática…
Para erguer mais da metade dessa área, o Mangue do Araçá, o último que sobrou no Canal de São Sebastião, será aterrado.

O quê?
O porto vai receber navios de grande porte que podem levar até 9 mil contêineres – empilhados, eles têm o tamanho de um prédio de 10 andares.
Na prática…
A luta contra a construção de prédios nas orlas da Ilhabela e no litoral norte de São Sebastião torna-se inútil: agora as praias de lá incluirão “prédios” de contêineres em sua paisagem.

O quê?
Serão construídas na Ilhabela: uma marina pública de grande porte com bares, restaurantes, lojas de conveniência, um museu marítimo para receber 2000 pessoas/dia, mais um terminal turístico de passageiros para navios de cruzeiros (com infra de alfândega, polícia federal, polícia marítima). A balsa e os barcos de pescadores dali vão sair de onde estão e serão realocadaos a novas áreas.
Na prática… Menos floresta, mar mais poluído, mais favelas (em São Sebastião já são mais de 40), um boom de turismo, e mais problemas de saneamento básico, infra urbana e de bem-estar social. Um estudo de impacto integrado de todas as obras (em fase inicial) já calcula que elas vão desmatar 455 mil hectares de floresta, interceptar 250 cursos d’água e gerar  pelo menos 5 mil empregos diretos (a população da região vai explodir).

O quê?
Não há previsão de construção de ferrovia de escoamento nem aeroporto. Ou seja, só há um jeito de tanta mercadoria chegar ao porto: com mais caminhões nas estradas.
Na prática… só a (única) estrada de Ilhabela poderia receber até 150 caminhões por hora. Dá pra imaginar?

O que fazer?

No site do movimento Nossa Ilha Mais Bela, financiado pelo Instituto Ilhabela Sustentável (IIS), há mais informações e sugestões de alternativas para uma ampliação mais sustentável do porto, do tipo: não aterrar o mangue, mas construir sobre ele usando pilares; manter a atual restrição a contêineres e aceitar apenas carga a granel e outras formas; construir uma ferrovia para evitar o colapso das rodovias locais; implantar novas redes de esgoto, executar projetos de habitação, investir em hospitais e escolas etc.

No dia 06 de agosto, às 18h30, no Instituto Oceanográfico da USP, vai rolar também um debate sobre os impactos da obra (já em curso) com dois ambientalistas que atuam na região e o pessoal do IIS.

Como (quase) sempre, o único jeito de impedir que a vaca vá pro brejo é se envolver no assunto, participar da mobilização por estudos sérios de impacto e formas de compensação ambiental à altura do estrago, contar aos seus amigos, postar no seu blog. Enfim, mostrar que a gente se importa. Que mais?


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