Parque Nacional Tayrona: um dia e a vontade de passar a noite

segunda-feira, fevereiro 1, 2010


{Arrecifes: que vontade de ficar aqui}

No último dia do ano, 31 de dezembro, também último dia baseado em Taganga, resolvemos ir ao lado leste e mais interessante do Parque Tayrona.

A logística era tranquila. Acertamos tudo no albergue dos nossos amigos, o simpático Divanga. Uma van nos pegaria no hotel e  levaria até a entrada do parque, a uma hora de estrada. De lá encararíamos uma trilha de 45 minutos até Arrecifes,  a praia mais ban-ban-ban. Ida e volta de van custava 30 mil pesos por pessoa (uns 30 reais). E a taxa de preservação do parque, mais 34 mil pesos (para colombianos era bem mais barato, uns 12 mil, acho).

Da portaria em diante, felizes em encontrar a floresta verdinha depois de tanta vegetação árida, íamos a pé. Eu fui esperando uma trilha fechadona no meio do mato. Fui de havaianas mas com o tênis na mochila, para garantir. Ainda tinha lido no meu Lonely Planet que rolava muita cobra no parque, e que se você fosse picado, não era pra deixar ninguém te levar a Santa Marta — muito longe, enquanto a própria administração do parque tinha soro antiofídico, embora pouca gente saiba. Por via das dúvidas, nem comentei o fato com o povo, pra não ter desistência.😉

Chegando lá, a trilha era um sossego. Quase uma estrada de terra aberta no meio da floresta. Bom, de terra é bondade minha, na verdade era uma estrada de lama e estrume. Como o jeito mais barato de chegar nas praias daquelas bandas era pela trilha (de barco, se a gente viesse de Taganga, daria uns 100 reais pra cada um), jumentos e cavalos eram usados como carregadores de tudo – de água para o boteco da praia às malas da galera que ia se hospedar dentro do parque. E também do povo que tinha preguiça de fazer a trilha.


{Taí o motivo de tanto cocô no meio da lama… argh!}

O trajeto era leve, mas o cheiro de estrume era um horror. Para ajudar a aguentar firme, plaquinhas no meio do caminho atestavam sua evolução:

A chegada era triunfal. Um imenso gramado com coqueiros altíssimos, um restaurante bonitinho, e uma praia extensa, mas de paisagem nada monótona: um mar bravíssimo, areia fofa, uns pedrões no meio dela, ilhotas no mar, uma lagoa, coqueirais. Demais.

O chato era não poder nadar. O mar era tão bravo – o nosso motorista da van já tinha advertido – que 200 pessoas já tinha se afogado lá. Quando tentamos entrar só até a coxa, para dar uma refrescada do calor de matar, um guarda-parque veio apitando e nos botando pra fora d’água. Bem que a plaquinha tinha avisado:

  

Não só a paisagem era linda, como o clima da praia era delicioso. Pouca gente, uns burricos passando com as bagagens, um camping simpático, dava muita vontade de ficar ali. Foi inevitável a ponta de arrependimento por ter escolhido Taganga como base. Mesmo que ali fosse isoladaço, com certeza sem balada de Reveillon e sem opção de restaurante de noite, o lugar era um paraíso.

O impedimento de mergulhar nem era grave. Caminhando para o lado esquerdo, logo se chegava a uma  praiota, chamada Piscinas, onde dava pra cair na água. É claro que meu marido já foi achando que dava pra mergulhar logo na lagoa de Arrecifes, que parecia tão calminha.

E já ia caminhando para a lagoa, ao lado dos burricos. Só deu meia volta por causa da minha insistência. Não era muito estranho não ter nem uma criatura humana ali dentro, mesmo com aquele calorão? Devia ter algum motivo muito bom pra isso, não? 

Tinha mesmo. Caymanes. (Jacarés. Rá).

Dali fomos andando pra Piscinas. Azar, naquele dia ela também estava proibida para banho. O vento e o mar estavam impossíveis.

Comemos uma arepa sensacional numa barraquinha entre uma praia e outra.

Mais 30 minutos de caminhada por uma trilhinha quase à beira mar e chegamos em Cabo San Juan del Guia, a base mais movimentada para quem vai ao lado leste de Tayrona. Há alguns restaurantes simples, cabanas e campings.

A praia era linda e boa pra mergulhar. Um pouco mais cheia que as outras, mas ótima.

Ótima pra perder a hora também. Na empolgação, acabamos calculando mal o tempo da trilha de volta. Tínhamos que estar na entrada do parque para pegar a van às 15h. Cedo, porque ainda queríamos dar uma dormida aquele dia pra estar novos pra virada. Não nos demos conta de que a volta iria demorar quase 1h30, saindo de Cabo. Ainda paramos no meio do caminho pra fotografar os macaquinhos tití.


{A foto da placa saiu melhor que a do bicho}

Conclusão: fizemos a trilha de volta quase correndo, desviando dos burricos e cavalos que atravancavam o caminho, e mesmo assim chegamos uns 40 minutos atrasados na van. Ainda bem que aqui não era a Suíça. O motorista não só não ficou puto com a gente, como ainda pediu aos guardas da portaria que avisassem de seu atraso para a  pobre menina que ele tinha que buscar ali dali a uma hora. (Duvido que tenham avisado, convenhamos).

Viva a Colômbia, viva o último dia do ano. 2010 estava chegando, e a gente com o pé direito a postos.

***

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Playa Brava: o paraíso a um barco e uma trilha de distância

quinta-feira, janeiro 21, 2010


{A praia dos sonhos existe. Mas dá um trabalhinho chegar lá}

Descobertas as limitações de Taganga, ao fim do primeiro dia de viagem fomos a uma das operadoras de mergulho da vila, na rua da praia, para tentar entender melhor o que era o vizinho Parque Nacional Tayrona.

Olhando um imenso mapa das praias do parque na parede da loja, fomos indagando o atendente. Queríamos:
a) uma praia sem muvuca
b) bonita
c) de areia
d) a pouco tempo de barco de Taganga

Na conversa, fomos percebendo que o lado oeste (onde estávamos) e o lado leste do parque eram diferentes. O que todo mundo chamava de Tayrona era o lado leste, cercado de floresta e com praias de areia. Nós estávamos no setor árido, com vegetação de caatinga à beira mar, e com uma maioria de praias de areia dura com pedras.


{Mapa de Tayrona pintado no vidro de uma van de passeios}

A praia mais bonita do nosso lado seria Bahía Concha, com areia, a meia hora de barco de Taganga, mas como tinha estrada até lá, estaria lotada.  

Mas não tem outra praia linda perto?, perguntamos. Tem sim, Playa Brava.  Mais perto que Concha, só que é preciso pegar 20 minutos de barco até a enseada de Granate, depois mais 20 minutos de trilha até Brava. É totalmente deserta.  Deserta?

Mais que depressa marcamos o barco para o dia seguinte.

Granate tinha três enseadas: era preciso desembarcar na última e fazer a trilha. Chegando lá, havia só uma casinha de pescadores, uns cachorros, alguns locais. E um morro bem alto: a gente teria que subir tudo, descer tudo do outro lado pra chegar à Brava.

Três garotos vieram se oferecer para nos guiar pela trilha. No começo eu fiquei meio injuriada: pra quê pagar os meninos se disseram que dava pra fazer a trilha sozinho? Fora que dois estavam com paus e um com um facão gigante na mão. E a gente em dois casais.


{Eis o morro que tínhamos que subir e descer pra chegar à Brava}

Bom, seguimos os três, meio alertas. E agora digo: santos moleques! A trilha de subida do morro não era muito óbvia, e era bem íngreme – não ia ser nada legal se perder e ficar subindo e descendo pra se achar. Chegando no topo…

Que vista! E um vendaval insano, de descolar as bochechas do rosto (e de te fazer agradecer às aulas de ioga pelo equilíbrio conquistado).

A trilha pra descer era muito pior. Mais íngreme, o que fazia a gente se abaixar pra caminhar, às vezes. E chegando lá em baixo, uma restinga cheia de cactos e árvores de espinhos que se entrelaçavam – agora sim eu entendia o facão do garoto. A trilha era meio casca mas no total durava só 20 minutos mesmo.

Chegando à areia, tchan tchan tchan tchan… Ninguém, meus amigos. Nem uma alma viva. Nem uma construção. Uma areia fofa no começo, batida perto do mar, e um mar bravo. Como é bonito mar com ondas, não?

 

Do lado esquerdo tinha uma micro falésia que salvou a nossa pele: garantia a sombrinha.

Achar a Brava foi um alívio absoluto. Então tinha valido à pena vir até a Colômbia pegar praia. Então não estávamos condenados a um banho de mar com 345 vizinhos, nem à farofa na areia. Uhu!

(Bem, tivemos que nós mesmos providenciar a farofa, comprando um isoporzinho com cerveja, água e bolachas no mercadinho antes de ir. É o único jeito de sobreviver, porque não tem nada na Brava).

Horas mais tarde, umas 15h30, nossos guias vieram de novo pra ajudar na trilha. Porque 16h a lancha estava de volta para nos pegar. (Graças ao fuso, 3 horas a menos que Sampa – eles não têm horário de verão – , a gente acordava cedo na Colômbia, pelas 8 da manhã).

Foi um dia de sucesso. Tanto que voltamos no dia seguinte à Brava, com mais dois casais. E passamos mais um dia com a praia inteira só pra nós.


{A baía de Granate na trilha de volta}

Foi um dia também para reforçar a velha máxima: em alta temporada, praia boa é só a difícil de chegar.

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quarta-feira, janeiro 20, 2010


{Uma só vila, duas formas de encará-la}

Detonei a pobre da Taganga no post passado. Mas foi só uma questão de respeito à ordem cronológica da viagem. Aquilo lá que escrevi no post passado foi o que dominou meus pensamentos na primeira noite e  no primeiro dia por lá.

Ao longo da viagem, fomos percebendo que era tudo uma questão de enquadramento: Taganga não é um destino. Nosso erro foi pensar assim. Taganga é uma base.

Base para conhecer as praias lindas do Parque Nacional Natural Tayrona, além de base para fazer o trekking de seis dias (ida e volta) até a Ciudad Perdida (a trilha inca e a Machu Picchu dos colombianos), no meio da Sierra Nevada (essa serra que termina na praia e que dá pra ver nas fotos de Taganga que postei).


{Trilha, trilha, sai preguiça}

Eu saí do Brasil pensando em passar dias sem fazer nada, em sair da pousada e cair no mar sem escalas, depois passar o dia estirada na canga. Chegando lá, esse esquema não rolava.

E, quando você percebe que vai ter que ter um pouco mais de trabalho pra achar uma praia do seu número, é preciso tomar uma decisão. Você pode ficar reclamando. Ou pode atropelar a preguiça e ir à luta (hahaha).

Foi o que fizemos, e valeu muito a pena. A viagem foi linda. Achamos praias incríveis.

Mas voltando à mal falada vilinha…. Era uma base. E como tal, Taganga acabou nos agradando bem mais.

Depois de um dia inteiro em praias desertas ou com mar bravíssimo, depois de muito caminhar, descer ladeira, subir ladeira, segurar o chapéu para o vento não levar, entrar em barco, descer de barco, era bem bom voltar pra Taganga e encontrar alguns confortos. Do tipo:

1- Uma cerveja gelada. Bem gelada.

2- As barraquinhas de suco do calçadão.


{Melhor que as casas de suco do Rio}

Era só escolher a fruta, com água ou com leite, com ou sem açúcar, e pirar. O suco de lulo ficou sendo meu preferido disparado. Eu sonhava com aquele suco de lulo, que vem a ser essa fruta aqui:


{Lulo? Muito prazer, Claudia}

3- O restaurantezinho perfeito para a almojanta.

4- Uma pousada bacana de frente para o mar e com caminhas na areia: pra dar aquele bodinho de fim de dia,  largadão, sob a luz dourada no entardecer.


{Para um soninho depois que a farofa se foi}

5- Um píer cheio de barcos que te levam a qualquer lugar que você inventar de ir amanhã cedo. Ou amanhã tarde. (E se você não é de barco, também tem táxi, ônibus, vanzinhas, o que for).


{Só não esqueça de pechinchar com o barqueiro}

6- Uma sequência de estaderos (barracas de praia) na Playa Grande, vizinha, onde o cardápio é uma bandeja com peixes frescos pra você escolher…


{É pargo, é robalo, é pargo vermelho…}

…E onde se come um pargo ao molho de coco levííííssimo


{Dava pra comer até dois}

7- Uma balada decente de Reveillon

8- E, sim, os gringos mochileiros, a maioria europeu, que estavam mesmo em Taganga (embora, no Reveillon, não fossem maioria, como diziam os guias). Pelo toque cosmopolita que eles dão ao lugar.

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quinta-feira, janeiro 14, 2010


{A aconchegante baía de Taganga)

Chegamos em Taganga meio ressabiados. Eu nunca tinha ouvido falar desse lugar antes de os amigos que inventaram essa viagem resolverem mudar o plano inicial de passar a virada do ano em Cartagena pra passar em Taganga.

O que me disseram foi: “Cartagena é grande e muito turística, vamos passar o dia 31 numa praia menorzinha, mais alternativa: Taganga”. Do argumento eu gostei. Mas será mesmo que essa vila era legal? Resolvi pesquisar melhor, mesmo sabendo que, em viagens com grupo de amigos, as decisões acabam saindo um pouco do seu controle.

O que consegui apurar naquela correria de final de ano, com uma amiga jornalista que tinha acabado de ir, foi isso: é uma praia descolada, 3 horas ao norte de Cartagena, pertencente ao município de Santa Marta. Fica a meia hora do aeroporto de Santa Marta, é uma vila de pescadores e um centro de mergulho às portas do Parque Nacional Tayrona, cheio de praias desertas.


{A porção da orla ocupada por barquinhos}

Depois, o Lonely Planet dizia que era uma praia em baía pitoresca, cheia de europeus mochileiros, de atmosfera relaxada e reputação notívaga. 

Procuramos hotel  e na prática só achamos um com cara de confiável: o Ballena Azul. Quase todos os outros eram albergues em casarões. Deve ser bem roots mesmo, imaginamos. E nossa imaginação brasileira e otimista imaginou um roots tipo Caraíva – ruas de areia, sombras de amendoeiras, um rústico com charme. Só que com albergues ao invés de pousadas.

Bom, não era bem isso, não. (Evidente que um lugar a meia hora de táxi de um aeroporto não seria como Caraíva. Mas, enfim, a gente é meio Pollyanna quando está precisando de férias desesperadamente).

Chegamos à noite, direto no hotel. O Ballena Azul era tudo o que prometia: uma pousada com certo conforto (ar-condicionado, frigobar, TV a cabo, telefone no quarto).


{Quarto fofo e equipado: só faltou chuveiro quente}

Tinha áreas comuns até charmosas.


{O pátio interno com jacuzzi do hotel}

Era de frente paro o mar, com cadeiras e caminhas na areia e serviço de praia.


{O lobby com a praia na porta}

O problema é que era na esquina da principal rua de acesso à vila com o início do calçadão de Taganga.

Calçadão? Pois é, esse foi o primeiro baque. Talvez Taganga tenha sido como Caraíva há 20 anos. Mas hoje ela tem um projeto urbano esquizofrênico. É uma praiota numa baía fechada, com uma rua principal cortada por umas dez transversais. Só que as ruas foram cimentadas e há um calçadão com mureta, bancos, quiosques, como se aquilo fosse um grande balneário. 

Em resumo: Taganga tem  tamanho para ser um pequeno vilarejo charmoso, como Caraíva, mas projetou uma orla a la Guarujá. Bizarro. 

O primeiro passeio noturno foi broxante.  A avenida da praia era ocupada por alguns restaurantinhos e bares legais, mas outros meio degradados,  e também  agências de turismo e mercadinhos sujinhos – um deles tinha uma balada no segundo andar, toda aberta, com meia dúzia de gatos pingados, e mesmo assim com uma insuportável música eletrônica altíssima que se ouvia em toda a orla. 


{O que esse calçadão está fazendo aqui?}

De manhã, pior: o tal calçadão estava em obras. E todos os quiosques ficavam fechados (pudera, cadê a demanda  pra tanto quiosque?). Vans e táxis chegavam do centro de Santa Marta (tipo uma Guarapari da Colômbia) e deixavam direto na frente do nosso hotel a galera que veio passar o dia na única área habitável da orla de Taganga, onde não havia calçadão (a frente do nosso hotel). O resto da praia era portinho dos barcos que faziam passeios.

Ou seja: passar o dia em Taganga, no way.

Mais do que  imediatamente fomos atrás da trilha de 20 minutos entre Taganga e a Playa Grande (recomendada pelo Lonely Planet). Quem era preguiçoso podia ir de barco, ao preço de 6000 pesos colombianos (uns 6 reais por pessoa).

Mas a Grande era pior ainda. Uma farofa desgraçada, banana boat, barracas de camping na areia e um assédio insuportável de vendedores ambulantes, garçons de restaurantes e donos de cadeiras  pra alugar. Será que era culpa do Reveillon? Será que o problema era a alta temporada?


{Uma dessas barracas-restaurante estava em construção: vai ter dois andares}

No desespero, vimos que no morro do fim da praia tinha outra trilha. Fomos andando e achamos algumas enseadinhas minísculas e lindas, vazias. O problema era que não eram de areia, mas de pedra, ruim de deitar com as cangas fininhas que a gente tinha. E ruim de entrar no mar porque o pé doía com as pedrinhas. A maioira delas ainda era base de pesca – os pescadores abrigados em barracos de palha não deixavam ninguém nadar, para não estragar as armadilhas nem enroscar nas redes.

Meu Deus! O que nós vamos fazer nos outros dias? Foi o pensamento em coro. O jeito seria pegar lancha todo dia para as tais praias desertas do Parque Tayrona – como a Playa Grande, formalmente, já era dentro do Parque, começamos a temer a noção de desertas que nos passaram.


{Enseadinha sem nome: vazia, mas dos pescadores}

O próximo capítulo eu conto amanhã.

(Mas já adianto que a solução do imbroglio  foi reenquadrar o status de Taganga na nossa cabeça: não é destino, é base).  

***

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Colômbia? A la orden

terça-feira, janeiro 12, 2010


{Toscana? Provence? Nada: galeria na muralha de Cartagena}

Chicos, volvi!

E para esquentar os motores do blog, lá vai um foto-post-teaser dos posts de Colômbia que virão.

Tudo começou com um amigo, o Maurício (o que contou esse causo de viagem sensacional vivido num veleiro pelo Caribe), dizendo que ia passar o reveillon na Colômbia com uma galera. E convidando: vamo aê? Opa, bámos, como no?

Primeiro a virada era pra ser em Cartagena. Depois mudaram pra Taganga, uma vila de pescadores 4 horas ao norte, ainda no Mar do Caribe, à beira do Parque Nacional Tayrona. 

Chegamos em Taganga e a prainha em frente ao nosso hotel era assim:


{Taganga às 8h da manhã. Lindinha}

Simpática, né? Pena que isso era às 8h da manhã, e dali a umas 4 horas a areia ia ficar tão muvucada quanto a da vizinha, a Playa Grande, a que o meu Lonely Planet Colombia dizia ser a melhor praia para passar o dia:


{Playa Grande: cruzes, me tira daqui!}

Então, no dia seguinte, fomos atrás da praia deserta dos nossos sonhos. E não é que a 10 minutos de barco e mais 20 minutos de trilha nós chegamos a:

{Playa Brava: quando apontei no topo da trilha, “me” veio um flash da Praia do Leão}

Agoooora, sim. Praia desertaça, só nós 8, em pleno 29 de dezembro. Por via das dúvidas, dia 30 voltamos lá, e passamos o dia como donos da praia de novo.

Como deu pra ver na foto lá da Playa Grande, os morros ao redor das enseadas não são desmatados nem queimados, não: são áridos mesmo. Tem até cacto à beira-mar:

Perdão, cacto, não. MUITOS cactos, na trilha toda.


{A insólita trilha entre os cactos de Granate até a Playa Brava, na ponta sul do Parque Tayrona}

Tudo muito lindo, tudo muito exótico. Mas depois de dois dias começou a me dar um canseira daquela aridez, uma vontade de pegar uma prainha assim, mais bahiana, saca? Um coqueirinho, uma lagoinha…

E então, no dia 31 de dezembro, lá fomos nós procurar no lado norte de Tayrona um recanto para viver o último dia de 2009 com mais, digamos, exuberância.

E não é que achamos, minha gente?


{Úia! Praia Arrecifes, em Tayrona: lagoa, coqueiral e muita areia}

Para nosso delírio, o norte do parque era radicalmente diferente do sul. Todas as enseadas eram de areia, nada de secura nem de cactos, tudo de  coqueiros e até lagoinhas.

Que vontade de ficar mais. O camping ali de Arrecifes despertou meus ímpetos pé-sujos loucamente. 

Mas eis que no dia primeiro do ano de 2010, acordamos com outras ganas (e com uma ressaca dos infernos, evidente).

Cartagena, aí íamos nós.

E a recepção não poderia ter sido melhor.

Eram monumentos históricos:


{Iglesia de San Pedro: em frente fica um restaurante disputadésimo}

Uma muralha charmosíssima, como na foto do topo do post.

Um casario colorido:


{Calle San Juan de Dios, Cartagena}

Roupas coloridas:


{Baila, baila na Plaza de los Coches}

Comidas coloridas:


{Ceviche, nham!}

Olha, eu vou falar. Tudo o que nós quisemos da Colômbia nesse reveillon ela nos deu. É como diziam todos os vendedores de tudo que você possa imaginar pelas ruas: “a la orden”, “a la orden” (às ordens, em português).

Mas eu vou retribuir, não tenha dúvida. Da próxima vez que alguém me convidar para ir pra lá eu vou dizer: Colombia, estoy aqui, a la orden!


{Último dia da viagem: olha a pinta de colombiana da pessoa}

Colômbia, aqui vou eu

domingo, dezembro 27, 2009

Leitores do coração:

Este blog estará de férias até 5 de janeiro (na realidade, já entrou há uma semana, hehe).

Embarco amanhã para a Colômbia, cheia de curiosidade e com uma necessidade absurda de passar dias e dias SEM FAZER NADA. Mas querendo pular ondinhas em terra estrangeira.

(A pulga atrás da orelha: será que nuestros hermanos latinos conseguem comemorar o Reveillon com um fervor minimamente contagiante? Minimamente parecido com o nosso?)

Meus comentários, com fotos, a partir de 5 de janeiro, neste blog.

Um feliiiiiiz ano novo e um 2010 com recorde de viagens pra todos nós!

Claudia

Arunachal Pradesh: que raio de lugar é esse?

terça-feira, dezembro 15, 2009


{Ponte de bambu feita pelos habilidosos Adi no Rio Siang. Foto da Wanderers}

E o destino de hoje é: a floresta de Arunachal Pradesh, no extremo nordeste da Índia, e suas tribos Adi

Há quem chegue lá pra se embrenhar na selva, aos pés do Himalaya. Só de orquídeas, ela tem 500 espécies. De bambus, mais de 30 tipos. Faisões, são 10; veados, quase isso. Há ainda elefantes, tigres e ursos negros.

A floresta ali só é devassada com facilidade pelos rios caudalosos. E pontuada por pequenas vilas onde vivem quase 100 sub-etnias diferentes, divididas em 26 grupos tribais, falando 50 dialetos próprios. Isso tudo em um território pouco menor que o estado de Santa Catarina.

Arunachal Pradesh é isolado até no mapa da Índia. Se pensarmos o país como um triângulo apontando para o sul, o estado é um rabicho de terra no extremo nordeste, depois que começa e termina o território de Bangladesh, e bloqueado entre Butão, Myanmar e China (a China disputa com a Índia o  território).

Arunachal foi também o último estado indiano a autorizar a entrada de estrangeiros – hoje, a permissão de permanência é de 10 dias e viajante independente não entra. É preciso estar num grupo de pelo menos quatro pessoas (para ser bem sincera, eu não me arriscaria por lá sozinha, não). 


{Mulher Adi em sua casa de bambu. Foto da Getty}

Mas 10 dias é um tempo  mais do que bom  para se embrenhar pela selva, caminhando de dia, acampando de noite, e passando pelas vilas Adi, o grupo tribal mais notável dali, que vive às margens do Rio Siang.

Os Adi (“homem das colinas”) são peritos na manipulação do bambu que faz suas casas e pontes. Conta-se 100 mil deles na região. Plantam arroz, bebem um fermentado alcoólico de painço (um grão), comem pássaros, besouros vivos e, preferencialmente, ratos. Criam uma espécie de touro chamado mithum, só abatido e devorado em cerimônias religiosas.

{A dança das mulheres da vila. Foto da BBC}

São conhecidos pela organização política altamente democrática. Em cada tribo há um xamã, mas as decisões são tomadas em assembléias onde todos dão suas opiniões. Só não há como contrariar os deuses.

Os Adi são animistas, e acreditam que os elementos da natureza são espíritos. Quando estão enfurecidos, eles mandam doenças sobrenaturais e má-sorte à tribo. Por isso, todas as festas implicam em sacrifícios para aplacar essa fúria.

O principal deus é o Sol-Lua, o guardião das leis morais. Ele prega que haja dormitórios separados para garotos e garotas, durante a adolescência. Mas não condena a poligamia, largamente praticada entre os adultos.


{Famosos xales Adi. Foto da BBC}

Onde raios fica isso? 26º10’  N, 94º46’  L

Rá! No vale do Rio Siang, em meio à selva de Arunachal Pradesh, aos pés do Himalaya indiano.

E como eu chego lá? De Calcultá, são três horas de vôo até Dibrugarh, no estado de Assam, e mais três horas de balsa sobre o rio Brahmaputra até Pasighat, um dos portais de entrada de Aranuchal Pradesh. De resto, é explorar a área a pé.

Alguém me leva? A inglesa High and Wild  ou a indiana The Wanderers

***

Conheça outros lugares remotos da seção “Que Raio de Lugar é Esse?”:

Lesoto, África
Serra Fina, Brasil
Montanhas Hindu Kush, Paquistão

Isla del Coco, Costa Rica 

Coma seu destino: hoje, Gonçalves na panela

sexta-feira, dezembro 11, 2009


{Fome de Gonçalves}

Tem uma nova palavra de ordem na Europa que é o “Coma Sua Paisagem” . Aliás são duas: tem “Comida Km Zero”  também (esse pelo menos na Itália, meu pai tava me contando dia desses). 

O Coma Sua Paisagem é um manifesto contra a monocultura e a produção industrial de alimentos (dou o MAIOR apoio). Por exemplo: um morador de Iowa, nos EUA, se for comer sua paisagem, só come milho, coitado, porque o estado é um planeta de monoculturas de milho sem fim.

Se o iowenze estiver a fim de umas laranjas, umas alfaces, vai ter que mandar vir lá da Califórnia, porque nenhum vizinho produz isso. E, ainda que ele seja um idealista, um adepto da comida orgânica por preocupação com a sua saúde e a da terra também, não vai ter a chance de praticar a alimentação “Km Zero” – comer o que é produzido pelos agricultores da sua cidade, o que não tenha viajado nenhum km (simbolicamente) até a sua casa. Nosso iowense vai ter que se mudar, pobre.


{Fome de morangos} Foto do Le Gourmet Bistrô

Bem, tudo isso pra dizer que, depois de quase dois anos enrolando, eu finalmente providenciei a minha cesta semanal de Orgânicos da Mantiqueira. Uma boa parte deles, orgânicos da charmosa Gonçalves.

É assim: você se cadastra e recebe uma lista dos produtos da semana por e-mail. Pede e te entregam em casa – sem taxa de entrega. Veio alface, azedinha, mandioca (descascada e no vácuo), manga, manjericão, couve-flor, cenoura e vagem. Passei a semana toda comendo Gonçalves (quase km zero e quase minha paisagem,vai, considerando que moro em São Paulo).

Pra semana que vem pedi alface, tomate, cebola, cheiro verde, banana, ameixa, lichia e tofu (isso tudo era item avulso, fora da cesta, então cabe taxa de entrega de R$ 5).

E tá me dando uma vontade de pegar o carro e ir passar o findi na Mantiqueira. Com esse tempinho chuvoso, ainda mais.

Pra entender do que eu tô falando, posto aqui o texto do fim de 2007 em que contei sobre essa grande sacada.

 

Como comer (e ajudar) o seu destino à distância

Todo mundo tem aquele lugar especial na cabeça: você viajou pra lá, se apaixonou, e insiste em querer manter algum contato, um pezinho lá. Você sempre dá um jeito de saber o que tá rolando, o que tem de novo, como estão as atrações que você amou… Quando é um destino de natureza, fica sempre aquele sonho de que a cachoeira continue cristalina, sem muvuca, que o verde siga bem verde, aquela comidinha caseira, sempre caseira, feita pela família que nasceu ali e continua ali firme e forte.

Falei no post passado de Gonçalves, na Serra da Mantiqueira, a simpática cidadezinha mineira com uma paisagem es-pe-ta-cu-lar e cheia de lugarzinhos aconchegantes. Tudo isso aí de cima eu tô sentindo por Gonçalves agora. E sabe que tem um jeito de ajudar a manter seus encantos e, melhor, sentir até seu sabor na boca?

Que tal receber em casa toda semana uma cesta de frutas e legumes orgânicos de Gonçalves? O lugar despontou como um centro dessa agricultura que não usa fertilizantes sintéticos, mantém a biodiversidade do solo, respeita os ciclos biológicos da terra e ainda pode fazer bem melhor pra sua saúde. Os produtores locais vendem tudo na feirinha de sábado de manhã, no centro da cidade, e organizam um festival em julho, o Inverno Orgânico. Nele os restaurantes locais apresentam pratos especiais com os ingredientes, você vista as propriedades, conhece receitas etc.

O mesmo grupo organiza a entrega das cestas de hortaliças na sua casa. Você come melhor e ajuda um projeto bacana a se manter de pé. Só vale pra quem mora em São Paulo e arredores, e as informações estão no site. Cada semana vem uma cesta com 10 itens variados [agora já tem também a cesta de solteiro, menor, e vários itens avulsos], já montada: você recebe antes por e-mail quais são os itens – se morango, se kiwi, se couve-flor, e decide se encomenda ou não. Não é uma delícia?

A pataquada verde da easyJet

quinta-feira, dezembro 10, 2009


{Que tombo…}

Essa semana a ONG Consumers International deu cartão vermelho para a easyJet, colocando a cia. aérea low-cost inglesa entre as campeãs do prêmio Piores Empresas 2009 .

A notícia quem deu foi meu amigo Léo, do Blog do Sakamoto. Esse ano o tema do prêmio foi o greenwash: as campanhas enviesadas com que muitas empresas  tentam nos convencer de como são boazinhas com o meio ambiente (a definição do Saka é bem melhor que a minha).

A balela da easyJet foi alardear que seu aviões são mais econômicos que um carro híbrido Toyota Prius.

Uia. Eu mesmo já postei sobre a propaganda sustentável da easyJet. Você senta lá na poltrona deles (acho que meu vôo era um Milão-Atenas) e lê no cartão laranja: “nós temos aeronaves mais eficientes, nós voamos com 85% de ocupação, mais do que as aéreas tradicionais – e isso economiza 27% em emissões de gases estufa por passageiro/km”.

Ainda bem que sempre tem uma ONG fiscalizando o que para o consumidor normal passa batido. Porque a história do carro híbrido é pega-trouxa. Tudo começou com a  aérea colocando no seu site a seguinte tabelinha:


{Cuma?}

Daí, nesse verão europeu, a BBC desmascarou a história no documentário Britain’s Embarassing Emissions. A malandragem é que empresa faz as contas com o avião lotado – quando a ocupação anual é de 85% – e com um Prius que tenha um só passageiro a bordo – a média britânica (e usada para todas as estatísticas de emissão de gases-estufa no país) é de 1,6 passageiros por carro.

Moral da história: fazendo contas honestas, um voo lotado da easyJet emite por passageiro 4 vezes mais CO2 por quilômetro do que  um Prius lotado (com 4 passageiros).


{Foto nada tendenciosa do Prius. He. Só vacilaram em colocar um passageiro só; quatro pegaria bem melhor}

Com o furdunço, o porta-voz da empresa prometeu tirar a tabelinha enganosa do ar, mas necas.  O Guardian repercutiu o documentário, fez os cálculos e confirmou a pataquada. Ainda mostrou que todas as outras alegações verdes da empresa são bem da safadas.

Prato cheio pra Consumers dar a paulada nos caras com o prêmio Piores Empresas. Que enrosco, meus filhos, que enrosco.


{Carbon-free travel}

Eu ainda prefiro defender o trenzinho, o bumba, a bike, até o carro cheio pra viajar pela Europa. Trechos aéreos, o mínimo possível. E nem precisa ser por motivos de consciência ambiental.

Quem é que gosta de esperar horas em aeroporto? De tirar o sapato, o cinto, o relógio, o laptop e ainda jogar fora o alicatinho da mala de mão na hora do raio-X? Quem se sente bem naquele ar-condicionado tenebroso e com aquele barulho de turbina, aquele cheiro, aquele ar viciado do avião? E o jet lag? E você naquela poltronica indecente enquanto tem um bacana com uma cama inteira e chocolates Godiva lá na primeira classe?

O avião é o mal necessário de quem curte slow travel. E baita pegada (anti)ecológica do viajante.

Vem chegando o verão. Pra você e pra tartaruga marinha

terça-feira, dezembro 8, 2009


{Tartaruga de pente: cata comida entre as fendas dos corais e desova no litoral norte da Bahia e sul do Rio Grande do Norte}

Bem, só tem chovido em São Paulo e em meio Brasil.  Mas pouco importa. Quando o verão vem chegando mesmo o mais encharcado dos urbanóides mantém as esperanças: nesse fim de ano vai dar praia.

Garanto que TODO MUNDO pensa assim. Ou quase. Ano passado, eu fazia uma matéria de capa para a revista Superinteressante sobre o Fim dos Oceanos quando descobri um dado que me surpreendeu: 80% do turismo do planeta é concentrado no litoral. Praias e corais são os grandes destinos.


{Tartaruga verde tabém gosta de praia. Ela vira vegetariana depois de adulta e é das menos importunadas no Brasil –  desova em Noronha, Atol das Rocas e Ilha de Trindade}

Com isso, não dá pra ter uma dimensão mais real de quanto o turismo pode destruir? Porque se a costa é endereço preferido das  férias de 8 em cada 10 de nós, é também o de ecossistemas como os manguezais, as restingas, os recifes de corais, todos crucias para a saúde do mar.


{O sexo da tartaruga oliva: ela é a menor de todas – só chega a 60 quilos. Desova  no litoral de Sergipe,  norte da Bahia e sul de Alagoas}

Bem, pois estou aqui fazendo uma outra matéria “oceânica”, fuçando no site Projeto Tamar – que, aliás, faz 30 anos e acaba de inaugurar na Praia do Forte o aquário Aventuras no Submarino Amarelo, só com animais que vivem entre os 200 e 1.000m de profundidade – quando topo com um videozinho muito fofo sobre as tatarugas marinhas.


{Tartaruga cabeçuda à milanesa – não salive, a pesca é proibida no Brasil. Ela desova no litoral do Espírito Santo,  Bahia, Sergipe e norte do Rio}.

O filme conta com imagens reais e animação o que você já está desconfiando: que as tartarugas marinhas também estão loucas pra pegar praia no verão. É a época em que elas vêm ao litoral pra botar seus ovos e acasalar.

No meio das imagens engraçadas e legendas idem – “in the Mediterranean”, diz a locutora; “No Brasil”, traduz a legenda” – o filme dá uns toques de como viajantes e operadores de turismo podem agir para não ameaçar ainda mais asbichinhas – todas as sete espécies do mundo, cinco com presença no Brasil, correm risco de extição. 


{Tartaruga de couro: gigantona com 700 quilos, desova só no litoral norte do Espírito Santo e é a mais ameaçada por aqui}

Do tipo? Nas praias de desova, não caminhar à noite, boicotar bares e hotéis que tenham iluminação na orla, não deixar cadeiras e guarda-sóis de um dia para o outro na areia e nem usá-los de dia no fundo da praia – só perto do mar. Fora tomar cuidado ao dirigir jetskis e lanchas perto das praias, onde as tartarugas tomam um solzinho na superfície.


{Tartaruga verde botando sua centena de ovos em Atol das Rocas: não perturbe} 

É uma gracinha. E conta mil e uma curiosidades da vida da tartarugas marinhas. Se eu tivesse um filho, mostrava pra ele djá. E programava um passeio, nesse verão, a uma das sedes do Tamar: na Praia do Forte ou Arembepe (Bahia), em Ubatuba (São Paulo), em Noronha, em Almofala (Ceará), em Guriri (Espírito Santo), na Barra da Lagoa (Floripa) e em Pirambu ou Aracaju (em Sergipe).


{A tartaruga verde, meio vermelha: dia de fúria?}

Assista ele aqui:

Todas as fotos são do Projeto Tamar.


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