O que é uma viagem de experiência?

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Inaugurei o blog ontem com um post que define slow travel. Agora é a vez de falar do segundo item do meu subtítulo: experiências.

Turismo de experiência é um troço que anda bastante na moda. É você fazer uma viagem que inclua algum “programa” notável, ou seja ela toda uma espécie de “aventura”, algo diferente do que você está acostumado a vivenciar e que te enriqueça de tal modo que você se sinta transformado por aquilo. Convenhamos: essa podia ser a definição de viagem, não?

Toda viagem, de lazer pelo menos, muda a gente. Mas o tal turismo de experiência já vem embrulhado em pacotes turísticos voltados para um cara que já fez muita coisa na vida e quer inovar. São coisas como voar de balão na Capadócia, mergulhar com tubarões brancos na África do Sul, cavalgar pelas montanhas da Mongólia dormindo em gers (tendas típicas, dos nômades) ou aprender culinária mineira num hotel-fazenda de Minas e fazer enoturismo pelas vinícolas do Chile ou da Serra Gaúcha.

A verdade é que “experiência” é uma coisa muito pessoal. E embora seja muito mais fácil ser transformado por uma visita a uma tribo do Xingu do que por uma tarde dentro de um super mall da Flórida, só você é quem sabe o que te emociona. Um sujeito com fobia de altura vai achar um castigo o balonismo pela Capadócia, por mais surreal que seja aquela paisagem turca.

Acho que o barato é ficar atento, em qualquer viagem, a essas grandes chances de aprender, sentir, ser chacoalhado por alguma coisa única. Em homenagem a essa moda turística “do bem”, faço aqui uma (tentativa de) lista das minhas experiências de viagem mais marcantes. Grandes e pequenas (em ordem aleatória).

1- Viver o sol da meia-noite em Estocolmo, na Suécia

Suécia quase meia noite

E aceitar que, contra todas as suas convicções mais primárias, quando, às 2 da manhã, o céu estiver azul escuro e você estiver esperando escurecer total, vai começar a clarear de novo.

 2- Um dia no Abismo Anhumas, em Bonito

A caverna é um buraco no chão no meio da floresta. Você desce de rapel e lá embaixo tem um lago para mergulhar entre cones gigantescos de calcáreo (parece filme de terror), passa o dia entre estalactites e gmites mil, se sente em outro planeta, come lá, faz a siesta, faz xixi no saquinho. E no fim do dia sobe de rapel de volta ao mundo real.

3- Ver baleias pela primeira vez, em Charlevoix, Canadá

Baleia mink Canadá

Eu sei, vergonha, vergonha. Com as baleias jubarte aqui de Abrolhos e as francas aqui da Praia do Rosa tão perto, eu fui ver baleia pela primeira vez justo no Canadá. Pois é, mas as costas branquinhas das belugas e as pretas das minks no estuário do rio Saint Lawrence, em Saguenay, foram até mais emocionantes que o pulo dos golfinhos da Ilha Grande.

4- O primeiro mochilhão pela Europa…

… A gente nunca esquece. Cinqüenta dias, 9 países, a base perfeita para nunca mais ir a Europa com dias contados em uma cidade e, sim, praticar bastante slow travel.

5- Entrar na onda do enoturismo entre as vinícolas de Mendoza, na Argentina

1Vinícola-butique Ruca Malén (6)

Entender, afinal, qual é a graça de degustar uma taça de vinho e harmonizá-lo com uma comida é o tipo de experiência que transforma o seu dia-a-dia, na volta pra casa (veja bem, eu disse aprender a graça de degustar UMA taça. A graça de encher a cara de vinho se mostrou evidente muitos anos antes).

6- A primeira viagem grande de carro, no Brasil

De São Paulo a Jericoacoara, com meu corsinha 1.0, pelo interior do Brasil. Na ida, direto; na volta, 30 dias descendo pelo litoral. Foram 9 mil km rodados e o saldo de um carro todo detonado de tanto atolar em areal.

7- Um dia numa ilha deserta em Los Roques

cayo muerto los roques

Deserta apenas, não, mas uma porção de areia de parcos 131 passos de circunferência, no meio do Mar do Caribe, inteirinha só pra mim e pro meu namorado. O maior luxo que já vivi nessa vida. Ah, o nome dela é Cayo Muerto.

8- Ficar cara a cara com o Muro das Lamentações, em Israel

Especialmente se seu guia te fizer caminhar por Jerusalém de olhos fechados até o ponto certo e disser “abra os olhos”. Então você abre e vê aquele muro milenar que te faz se sentir numa cena da Bíblia, rodeado de gente com tal fervor religioso que te arrepia imediatamente.

9- Pular de asa-delta no Rio de Janeiro

Correr naquela rampa da Pedra Bonita até o chão acabar num abismo, voar muito mais lentamente do que se esperava por aquela cidade maravilhosa e pousar na praia do Pepino é coisa pra não esquecer nunca (por via das dúvidas fui lá no ano seguinte e saltei de novo).

10- Rodar a Elovênia de carro por uma semana, dormindo em albergues, sozinha com a minha irmãzinha de 11 anos

ljubljana eslovenia

Detalhe: eu não  encontrava ela havia dois anos, já que ela mora com meu pai na Itália. Ou seja: não sabia muito do que ela gostava, se íamos nos dar bem etc… Foi um belíssimo reencontro de irmãs.

Hi, acho que vou ter que escrever uma parte II num outro post.🙂

Quem arrisca uma lista ou causo próprio na caixa de comentários?

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20 Respostas to “O que é uma viagem de experiência?”

  1. Gustavo Says:

    claudia parabens. vamos continuar te acompanhando nesta nova empreitada. Como sempre seus blogs e comentarios sao inovadores e interessantes. So nao entendo como vc saiu da abril!! parabens pelos seus trabalhos

  2. Claudia Carmello Says:

    Oi Gustavo, obrigada pela visita! Tem os prós e os contras, né? Agora sou mais dona do meu blog/nariz, mas tenho que batalhar mais pela audiência, né? volte sempre!

  3. Emília Says:

    Claudia, tenho duas em comum com vc: Anhumas e ver baleias pela primeira vez (só que a minha foi na Costa Rica).
    Mas não esqueço de dormir uma noite dentro do Mont St-Michel, no inverno…e ver tartarugas desovando na costa do Caribe e do Pacífico, na Costa Rica também…e fazer rapel pela primeira vez, na Chapada Diamantina…tomar banho de cachoeira dentro de uma caverna no Petar…ver o pôr-do-sol sobre Istambul, de cima da torre de Gálata…estar pela primeira vez no Parthenon…
    Não sei se era bem isso que vc tinha em mente, mas…para mim são experiências inesquecíveis…

  4. Claudia Carmello Says:

    Claro, Emília! Meu ponto é esse mesmo: grandes experiências de viagem não dependem de grandes aventuras, acontecimentos notáveis. Às vezes as coisas que nos tocam são as mais banais. E ser tocado por coisas banais, como um pôr-do-sol ou um banho de cachoeira, é o tipo de coisa pouco comum no dia-a-dia, mas que, felizmente, deixamos acontecer quando viajamos. Né não?

  5. Natalie Says:

    Sabe o que me tocou de verdade? Depois de alguns dias visitando diversos memoriais de guerra em Washingtion, fui visitar o cemitério de Arlington. Aquele fim de tarde, aquele céu azul, aquele silêncio e todos aqueles soldados de guerra me fizeram questionar o porquê de tantas guerras e tanto sofrimento. Afinal, o que o mundo ganhou depois de tantas guerras? Nunca vou esquecer desse fim de tarde.

  6. Mauricio Says:

    Claudinha,

    Bota na lista do próximo post, em homenagem àqueles que não só são transformados por visitas a aldeias indígenas, mas também por programas de índio:

    11. Ficar preso na fronteira entre Honduras e El Salvador, num lugar desolado chamado Jícaro Galan, comendo tacos duvidosos e ouvindo ao vivo o acordeón de uma banda regional, igualmente presa na cidade

    12. Enfrentar uma tempestade tropical no mar do Caribe a bordo de um veleiro comandado por um bêbado inveterado e testemunhar duas velas sendo rasgadas pelo vento

    E esse é só o começo.

    Beijo e longa vida à vida sem patrão

  7. Na Provence com a Claudia Carmello | Viaje na Viagem Says:

    […] Viajar, onde usa a ferramenta WordPress para falar de viagens que, mais do que vistas, proporcionem experiências; que sejam sustentáveis; e que possam ser feitas de maneira […]

  8. Luiz Felipe Says:

    Acordar bêbado num albergue, descobrir que todos ali estavam impressionados com o volume do seu ronco e 8 horas depois se tornar o melhor amigo de todos, depois de pagar uma rodada completa para a galera.

  9. eduluz Says:

    Claúdia, parabéns pela mudança e pelo visto ( e lido) por aqui, pra muito melhor.
    Também compartilho do teu pensamento sobre viagens : andar mais devagar, com calma e sem aquela “maluquice” de parecer estar marcando uma cartela de bingo. Confesso : eu já fui assim ! rs
    E também acho que você deve procurar coisas especiais pra fazer em qualquer viagem. Em comum com a tua lista ( que por sinal foi anotada) somente o passeio pelas mais dieferente vinícolas de Mendoza e a visão das baleias no Canadá, só que na Victoria Island onde ficamos num hotel que tem como especialidade o turismo de tempestades.
    Fizemos passeios gourmets espetaculares em Barcelona e em Chicago com direito a visitar lojas gastronômicas ( chás, chocolates, vinhos, temperos, etc) em Barcelona e em Chicago.
    City tour de bike em Buenos Aires; aulas de culinária em Siena e em Castiglione della Pescaia, passeios incríveis pela Patagônia Chilena e pelo Atacama, jantar à luz de velas em pleno deserto Australiano, almoço digno de revista Caras nas águas claríssimas de BoraBora; jogo de baseball em Miami; de tenis no Aberto da Austrália; passeio noturno por Petra; comer bem slow em restaurantse estrelados e naquelas cantinas da mamma; tentar descobrir os segredos dos moai !!
    Viagem tem isso, né? Cada vez que nos lembramos, viajamos de novo !
    Vida longa ao Um Outro Modo de Viajar e já está devidamente bookmarcado.

  10. Claudia Carmello Says:

    Oi Edu! Pois é, você viu? Agora posso escrever sobre o que quero mesmo, não preciso mais ficar tão limitada quanto na velha casa. Também estou curtindo muito mais fazer o blog. Que delícia sua lista. Lojas gastronômicas são sempre adoráveis! Em Barcelona você achou os chocolates do Enric Rovira? Ganhei de uns amigos um creme de chocolate dele, e comi também umas barras de chocolate não-refinado… nham! Agora sonho com eles! E sobre seu almoço “Caras” em Bora Bora, adivinha, já tinha lido no blog do Riq (tava pesquisando essas ilhas de sonho e achei seu comentário lá. Mas tô quase decidida a ir pra Zanzibar). E esse passeio noturno por Petra… acabou de entrar pra minha lista. Abraço e volte sempre!

  11. Claudia Carmello Says:

    bem verdade, Luiz. Albergue sempre dá histórias ótimas…

  12. eduluz Says:

    Claúdia, já ouvi falar do Rovira, mas não comi . Na verdade, eu não sou o que se poderia chamar de chocólatra !! A Dé e Re ( esposa e filha) ficaram malucas pela Xocolateria Fargas em Barcelona !!
    Quanto a Zanzibar, quase fui pois cheguei a cotar um passeio pela Tanzânia e nem sei direito o porque (rsrs), desisti !
    Já o passeio noturno por Petra é muito bom, mas faça antes de conhecer Petra à luz do dia, pois deste jeito, a cidade é imbatível.
    E parabéns novamente. O blog está excelente !

  13. Flavia Says:

    Oi Claudia

    Estou adorando acompanhar seu blog…

    A minha maior viagem..foi de onde eu menos criei expectativas…
    Patagonia Chilena a bordo de um navio de Expedição ( Mare Australis)
    Da pequena Punta Arenas, realizando o roteiro mais Austral do mundo… terminei a fantastica viagem na pequena Ushuaia.
    Guardando as recordações dos 100 passageiros a bordo, as excurssões aos Majestosos Glaciais.. do whisky com gelo milenar… e tudo aquilo que pude sentir.. somente estando la

    sucesso e parabens

  14. Tanya Razzo Says:

    CLAUDIA
    Conheci seu site através do Estadão.
    Para quem gosta de viajar seu site é uma delícia.
    Tão suave que acho que no final da minha viagem vou p/ Provence
    Obrigada pela oportunidade de enriquecer meus conhecimentos
    Tanya Razzo

  15. Claudia Carmello Says:

    Oi Tanya, seja bem-vinda! Obrigada você pela leitura. Você viu meu blog no Estadão? Onde? E pra onde é a sua viagem? abraço

  16. Ani Casagrande Says:

    uiiii, q vida monotona que eu tenho!!!hauhua

  17. Eliane Suassuna Bandeira Cabral de Melo Neta e de Pena Filha Says:

    Oxente, Caramelo, virasse freirinha, foi? Mas menina, tu és mesmo surpreendente!

    Tás em Olinda, é? Que massa!

    Escolhesse morar em Nossa Senhora do Monte, para fazer o Bricelet? Eita biscoitinho danado de bom!

    Ou resolvesse morar na Misericórdia, para ser professorinha na Academia Santa Gertrudes e cantar no fim do dia?

    Ou afinal és Doroteia, moras em Nossa Senhora da Conceição, e tás fazendo sopinha e cuidando de plantinha?

    Eu acho tudo isso muito lindo, visse?

    De todo modo, tás dirigindo Kombi, porque ninguém pode ser freirinha em Olinda sem dirigir Kombi. Eita, carrinho bom!

    Mas olhe, minha filha, não deixes de vir aqui, não, visse? Vem e conta para nós, proque as igrejas de Olinda são todo um turismo.

    Escreva, menina, nem que seja para reclamar daquelas almas sebosas que insistem em tirar foto com flash e falar no celular enquanto as freirinhas cantam.

    Um cheiro!
    Eliane Suassuna Bandeira Cabral de Melo Neta e de Pena Filha.

  18. Ricardo Says:

    Parabéns pelo blog. Também gostamos de compartilhar e ajudar outros viajantes. Criamos um: simoners@yahoo.com.br

  19. Georgia Says:

    Claudia, que delícia de post!
    Minhas melhores experiências de viagem foram:
    voar de balão na Capadócia, passeio de barcos nos Fiordes da Noruega e passeio de Elefante na Tailândia. Inesquecíveis…
    Beijos

  20. Eliane Lordello Says:

    Lindo post, Caramelo!

    Reli várias vezes. De minha parte, sonho com uma viagem de experiência no Líbano, estendendo-se de Beirute para os sítios libaneses do patrimônio mundial: Anjar; Baalbek; Byblos; Tyre; Ouadi Qadisha (O Vale Sagrado) e a Floresta dos Cedros de Deus (Horsh Arz el-Rab). Sei que se for ao Líbano, não poderei nunca entrar em Israel, mas não me importo. Fico com o Líbano.

    Um beijo,
    Eliane.

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