Cafeterias do mundo (e do coração)

china hirsha
{ O Čajna Hiša, em Ljubljana: pra chamar de lar} 

No embalo do post-ode ao café, listo aqui as cafeterias (odeio essa palavra, só tô usando pra diferenciar de café, o líquido) importantes da minha vida de viajante.  Contribuam com as suas, per favore?


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 Café Tortoni (é óbvio!), em Buenos Aires

tortoni iterna
{Salão interno. Foto de divulgação}

O que tem de especial?
Sim, eu sei que tem gente que acha a maior armadilha pega-turista, mas eu acho irresistível assim mesmo. Sim, aquela atmosfera histórica me dá a sensação de “uau! isso aqui existe há 150 anos…” Sim, eu imagino o Borges  lá dentro quando vejo a mesinha dele perto da entrada. E, sim, sempre que vou a Buenos Aires EU TENHO QUE dar uma pernada pela Avenida de Mayo, só pra olhar de novo aquelas árvores e fachadas, e terminar tomando um café lá.

Que mais?
Pra quem gosta, dizem que o churros é ótimo. (Eu peço só o doce de leite do churros, puro, e fico bem feliz). E ainda não fui ver o show de tango no micro teatro, a tal “bodega”, lá dentro. Quem já foi pode contar?  

Paradinha-slow-travel ou Pit-stop-descansar os pés?
Tá mais pra descansar os pés, porque o barulho, a muvuca, e os turistas ticando a lista de atrações obrigatórias não convidam muito à reflexão. Em dia de semana, na baixa temporada… talvez. 

Tem alternativa?
O Bar 6, em Palermo Viejo, vai bem pra se sentir mais descolado, mais iniciado ou (tentar) sair do meio da brasileirada depois de um dia inteiro de peregrinação a la city tour. Nas minhas últimas visitas a BsAs, tenho ido sempre lá pra tomar um suco ou café com torta (o menu do dia é sempre apetitoso, mas nunca fui pro almoço). E respirar um pouco de cosmopolitismo.

 

>> Bar Gallia, em Bologna

bologna cafe de la paix
{O Café de la Paix, todo “do bem”}

O que tem de especial?
Ser em frente ao apê em que meu pai morou, em Bologna, por uns 15 anos. Passei toda a adolescência tomando café da manhã ali, com um baita capuccino delícia, em todas as férias bolonhesas. Até hoje, quando eu penso “capucho”, lembro do Gallia.

Que mais?
Mais nada. Não é charmoso, não é bem localizado (muito longe do centro velho, o turístico). É bem de bairro, daquele tipo onde o dono chama todo mundo que entra pelo nome. Em suma, se você for a Bologna, você não vai querer ir lá.

Tem alternativa?
Claro. Tem dois que são a cara de Bologna. Pra curtir o movimento da Piazza Maggiore, o epicentro da cidade murada (de onde só sobraram as portas, mas onde ainda fica o lindo centro velho), gosto do Canton de Fiori. É um camarote. E  eles se gabam de ter inventado o caffé alla nocciola. Pra se juntar à turma da arte, cultura e academia (universitária, digo), ou seja, para se juntar a meia Bologna, é mais gostoso o Café de la Paix, que serve o de sempre mas também cafés e chás orgânicos, funciona (márromeno) como centro de troca de livros e como lojinha de artesanato étnico (e comércio justo).

 

>> Čajna Hiša, em Ljubljana

china hirsha 2
{Se eu morrasse nas Eslovênia, saía de casa com meu laptop e passava o dia nessas mesas}

O que tem de especial?
Olha, não sei. Mas é o café mais encantador de toda a cidade de Ljubljana (diga “Liubliana”), a capital eslovena. Passei sete dias na cidade e em todos eles eu tomei café da manhã lá, quando não dei mais uma passadinha no fim da tarde (exceto domingo, quando fecha). Queria um daquele na esquina de casa, como queria.

Que mais?
É na verdade uma casa de chá, que também vende vários chás especiais a granel, bules e xícaras lindos (comprei uma xícara inglesa lá, uma só, toda estampada com fragmentos de obras do Klimt, incrível). E serve cafés da manhã pra todos os paladares (dos omeletes dos americanos a croissants doces dos italianos a misto quente dos brasileiros).

Paradinha-slow-travel ou Pit-stop-descansar os pés?
Slow total! Lá dentro é fofo, lá fora tem mesas na calçada (no verão), e a casa de chá fica no centro histórico, pertinho do rio que corta a cidade, em rua de paralelepípedo. Ahhhh… Dá pra passar o dia inteiro olhando a rua ou lendo um livro ou postando no seu blog.

Tem alternativa?
O Čajna (diga “tchaina”, como “China” em inglês) é um clássico, e como a cidade não é lá muito turística, está sempre cheio de habituês, moradores. É o café perfeito. Vá lá! Mas se quer uma segunda opção, o albergue mais descolado que já conheci na vida, que fica em Ljubljana, tem um café bem mudérrrno que vale conhecer. O Celica era uma prisão que foi transformada em albergue. Pra isso, chamaram os designers e arquitetos mais bacanas da cidade pra reformar aquilo e fazer de cada um dos quartos sua obra de arte. Cada um é de um jeito: com escadarias em espiral no meio do espaço, com painéis coloridos na paredes, mas todos mantiveram as grades nas janelas e portas. Os muros dos arredores são todos grafitados. E lá dentro ficam dois cafés/ restôs: um oriental, com almofadas no chão, e outro envidraçado de um lado e com parede de pequenos vitrais coloridos do outro. (Esse albergue é uma baita dica. Mas precisa reservar muuuuuito antes. É super pequeno e lota fácil).

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13 Respostas to “Cafeterias do mundo (e do coração)”

  1. Mari Campos Says:

    Que beleza de seleçao!!! Fiquei babando nesse de Ljubljana, que ainda não conheço… até porque, além de ser ultra fa das pausas para o café, amo rumar com meu notebook para um café desse tipo e passar hoooras… 😉

  2. Juliana Amorim Says:

    Claudia nunca pensei na Eslovenia nos meus destinos, mas acho que vou passar por lá so para entrar neste café!
    Olha o Marcelo KAtsuki postou esta semana no Blog dele um lugar em SP que não sei se vc conhece: http://www.nicecup.com.br/
    NA foto do Blog do KAts tem uns mini churros que acho que me arrebataram de desejo! Eu adoro churros!
    Se vc tiver referências sobre o local, comparta porfis!

  3. Claudia Carmello Says:

    Oi Juliana! Nossa, o Nicecup é do lado da minha casa, sempre vou tomar café, almoçar ou até trabalhar lá (tem wi fi e é super confortável). Nunca comi o churros, mas sempre tomo o cafe latte, delicioso, e como a baguete integral na chapa com requeijão.Tem uma carta de cafés imensa. E o melhor prato é o franguinho em tiras com legumes na brasa, mais cuscuz marroquino, coalhada e chutney de ameixa. Uma delícia! vale a pena passar lá com certeza.

  4. Claudia Carmello Says:

    Mari, se couber na sua temporada européia, cogite Ljubljana. A cidade é uma fofura só, linda, cheia de vida, acolhedora e super segura. Uma micro micro Paris ou Praga, com um jeitinho mais germânico e mais interiorano. Tenho certeza de que você adoraria. Bejo!

  5. Fernanda Says:

    Clau, adorei o post (só vi agora, hehe). Também amo o Café Tortoni, quando passei um mês em Buenos Aires no ano passado ia lá direto. Só acrescento uma dica, bem no espírito slow travel: ao lado do Café Tortoni fica a Academia Nacional del Tango, onde é possível fazer aulas avulsas bem baratas (15 pesos por duas horas, todos os dias da semana, começando às 18h). Em uma aula já se aprendem quatro passos e dá pra começar a enganar e ter uma noção de como se dança. É bem divertido! Além disso, sugiro também como alternativa um café de Palermo Viejo que, na minha opinião, é imperdível, o da supercharmosa livraria Boutique del Libro (Calle Thames, 1762). As comidinhas são muito boas e dá pra ficar lá por horas relaxando, escrevendo, lendo, ouvindo uma boa música. Aqui em São Paulo, fico com um que é do lado de casa e é delicioso, o Grão Cereja (rua dos Pinheiros, 507). A gente até almoça lá de sábado, é sensacional. Beijo!

  6. Claudia Carmello Says:

    Fê!!! Quanta dica boa! Menina, precisamos publicar seu guia Buenos Aires para amigos aqui no blog, hein? Faz uma edição especial pra nóis? Bejos!

  7. Fernanda Says:

    Eu topo, claro! É só combinar. E olha que o tal guia para amigos já melhorou muuuito desde a última temporada por lá e das contribuições dos usuários, hehe. Beijo!

  8. Eliane Lordello Says:

    Atendendo ao “Contribuam com as suas, per favore?”, eu acrescentaria o Rebecca’s Cafe, 55, Hayward St, Cambridge. É agradabilíssima, tem várias “”fragâncias”, digamos assim, de cafés e chás, gente bonita e comunicativa. Fica ao lado da ótima livraria do MIT (The MIT Press Bookstore), de cujo público é caudatária.

    Para quem é adepto, tem aqueles copinhos de papel, com tampa de canudinho, que os americanos apressados levam pelas ruas. Eu, no entanto, gosto mesmo é de café em xícaras de louça. Pode me chamar de velha senhora do campo por isso, eu não ligo!

    Boa noite, um beijo.
    Eliane

    • Claudia Carmello Says:

      oi Eli, obrigada pela contribuição! Eu também odeio copinhos de papelão. E tem mais: gosto de café em xícara de louca E com colherinha de verdade. Aquela colherinha de plástico descartável que às vezes vem me dá nos nervos. Solução mais antiecológica e sem charme pra mexer nosso amado cafézinho, não? bejo

  9. Eliane Lordello Says:

    Oi Claudia, muito obrigada também. Boa lembrança, a colherinha de plástico é insuportável para acompanhar o cafezinho do coração, e é ecologicamente inaceitável. Um beijo, Eli

  10. Lucila Zahran Turqueto Says:

    Oi Claudia, tudo bem?
    Quem me apresentouo seu blog foi a Roberta Prado.
    Tô precisando da ajuda de uma experta. Estou tentando organizar uma viagem para Croácia e Eslovenia, mas não encontro muitas dicas do 2º país.
    Vc tem algum endereço bacana de blog ou site sobre a região?
    Obrigada pela ajuda e por compartilhar suas viagens conosco.
    Bjs
    Lucila

  11. Amiraldo Patriota Says:

    CAFÉ COM POESIA
    ***
    Um café pra esquentar
    Uma paisagem pra se ver
    Um poema pra se ler
    E na letra viajar
    Numa tela se encontrar
    Extraída dos pincéis
    Exposta em painéis
    Amostra na galeria
    Selando a harmonia
    No deguste do autor
    Que em rima conjugou
    CAFÉ, ARTE E POESIA

    Amiraldo Patriota
    patriotajp@hotmail.com

  12. Amiraldo Patriota Says:

    O AROMA QUE CONTAGIA.
    ****

    Gostoso no amanhecer
    É sentir no paladar
    Um café pra despertar
    E um jornal para se ler
    Como fonte do prazer
    De um cafezinho quente
    Que anima e esquenta agente
    Refletindo no semblante
    Deixa o clima aconchegante
    E perfumando o ambiente.

    Cafezinho Brasileiro
    Chamam de mistura fina
    Cantado em verso e rima
    Na voz de um seresteiro
    Que durante o ano inteiro
    Canta na cafeteria
    E bem no final do dia
    Anima o ambiente
    Recitando num repente
    Café com poesia.

    Um cafezinho pro artista
    Autor da literatura
    Que desenhou à arquitetura
    Que entusiasma o turista
    E com café eles conquistam
    O seu retorno com certeza
    Servindo café na mesa
    No almoço e no jantar
    E quando saem pra passear
    Ainda brindam essa pureza.

    Amiraldo Patriota
    patriotajp@hotmail.com

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