Pela Provence de bicicleta: Avignon – St-Rémy – Arles. Deu no NYT

provence de bike
{foto de Christophe Margot, do NYT}

Voltando à série de Provence, ia escrever hoje sobre Cézanne em Aix, sua terra natal, quando vejo que o New York Times deu, na semana passada, uma matéria ótima sobre um roteiro de bike entre Avignon, St-Rémy e Arles.

Joe Nocera conta em detalhes sua viagem com a mulher, planejada para ser uma romântica jornada em que ele a guiaria por cidades que ele já conhecia e ela não, mas que acabou sendo cheia de imprevistos e micos e… e daí?  Cheia de imprevistos e micos, a Provence de bike deles foi reveladora E romântica também. Nesse link dá pra ler a matéria na íntegra (em inglês).

O importante é que há dicas ótimas no texto. A melhor: o cara viajou num esquema slow perfeito, contratando os serviços da Cyclomundo. É uma operadora de viagens sobre duas rodas que se diferencia dos clássicos (e carérrimos) roteiros de bike + hotéis de luxo + guias em tempo integral a la Butterfield and Robinson. A sacada é te guiar e te deixar livre ao mesmo tempo. Como?

Você escolhe entre uma dúzia de roteiros provençais – para o casalzinho em clima de núpcias foram três dias preenchidos com pedaladas de Avignon a St-Rémy (24 km), St Rémy a Arles (46 km) e de volta a Avignon (56 km) –, eles te alugam as bikes, te dão os mapas e as coordenadas detalhadas (que vão apoiados num suporte em frente ao guidão) para você pedalar só pelas estradinhas vicinais lindas, reservam hotéizinhos bacanas e carregam sua mala sempre de um hotel a outro. Ou seja: é só sair do café da manhã, pedalar sem hora pra chegar, só você e sua turma, e ainda chegar com tudo reservado e as malas já no quarto. (Mesmo assim, os trechos foram percorridos numa manhã, e no resto dos dias eles ficaram pasmando ou visitando as cidades).

Achei demais. A Cyclomundo faz também tours pela Espanha, Itália e Suíça, e esse roteiro de três dias e duas noites sai desde 275 Euros por pessoa, com pernoites e bikes.

Os lugares onde eles comeram e ficaram também valem nota: em St-Rémy, dormiram no Les Mas des Carassins, uma velha casa de fazenda convertida em hotel estiloso, com piscina, lindo jardim e um bom chef de cozinha; e em Arles, no Le Calendal, um casarão bem no centro. O almoço memorável foi no Le Cilantro, em Arles, comandando pelo chef Jérôme Laurent, ex-pupilo de Alain Ducasse.

Olha, deu uma vontade de voltar. Pro roteiro de sete noites, gastronômico, principalmente.

Ah, e o Cézanne fica pra amanhã, tá?

Termino malemá passando pro português o trecho da matéria que, acho, mais traduz o que é uma viagem slow, verde, enfim, tudibão.

“Viajar de bike é diferente de viajar de carro – você vê mais, com certeza, mas de uma maneira mais profundamente sensorial, você vive mais. Não havia nada nessa rota que fosse especialmente arrebatador –  mas do ponto de vista privilegiado das nossas bikes, tudo era arrebatador. O rolo de feno perfeito. Os campos de girassóis. Os muros de pedra. As singelas casas de fazenda. Passamos nossa primeira fazenda e comentamos como pareciam felizes as vacas provençais, assim de perto. Paramos para inspecionar nossa primeira oliveira. Pedalamos por um campo de lavanda encharcados num aroma doce. Pedalamos por Graveson e Maillane, duas vilas, tirando fotos de igrejas e cemitérios, onde lemos as lápides e nos perguntamos sobre aquelas vidas vividas. Ela trouxe queijo e, como passamos uma fazenda com árvores de pêras, ela pulou da bike e apanhou duas. Aquilo foi o almoço”.

 

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