Os papas de Avignon eram pop

palais de papes 2
{O Palais des Papes, em Avignon. Foto de Igor Badalasi}

Falei por cima do mercado Les Halles de Avignon num post passado, mas nem contei dessa baita cidade bem no centro da Provence, às margens do rio Rhône (Ródano, em português). Como respondi à Anna Francisca, leitora aqui do blog, Avignon é uma ótima base pra visitar a Provence porque fica mais ou menos perto de tudo, do Luberon, de St-Remy, de Arles. E mesmo de Aix-en-Provence – segundo meu Guia Verde Michelin Provence aqui, são só 82 km.

Mas a cidade é destino também. Especialmente por conta do seu conjunto arquitetônico medieval. E bota conjunto aí. Não é só um punhado de igrejas e castelos. Mas um complexo que une uma muralha robusta circundando todo o centro histórico, uma ponte graciosa, mais uma catedral, um castelo-museu e um palácio descomunal, o Palais des Papes, o maior de estilo gótico de toda a Europa. Tudo integrado, não há começo nem fim. É um labirinto saborosíssimo. E com uma história muito boa de contar.

ponte avignon

Era o início do século 14 e a situação dos papas da Igreja Católica perante as famílias da nobreza romana andava preta. Em Roma, eles estavam, como se diz, abaixo do cocô do cavalo do bandido, numa corda-bamba política marcada por desavenças seculares. Nesse ínterim, dizem que o Rei Filipe IV da França conseguiu eleger um papa francês – Clemente V, em 1305 – e tentou convencê-lo a levar a sede da Santa Sé para Avignon. Lá seriam menos importunados e teriam tudo o que mereciam (esse argumento aqui é licença poética minha, tá?).

E não é que rolou isso mesmo? Os papas de Avignon foram sete, em quase setenta anos (1309-1377), todos franceses. Bento XII construiu o Palais em menos de 20 anos, e Clemente VI continuou, transformando a cidade num canteiro de obras. A população passou de 5 para 40 mil habitantes e a economia se desenvolveu horrores. Dizem até que havia grande liberdade na época – os papas se preocupavam mais em aumentar seus aposentos e enriquecê-los com os afrescos do italiano Matteo Giovannetti do que em meter o bedelho na vida privada dos fiéis. O poeta Petrarca, por exemplo, se exilou ali. E havia espaço até para a convivência harmoniosa de uma comunidade judaica.

Pois bem. Antes de ir ao Palais des Papes, leia esse parágrafo de novo. É bom estar com toda essa história fresquinha na memória, porque ao visitar o palácio hoje não se vê muita mobília, adorno ou ambientação nos mais de 20 salões abertos. É preciso imaginar. Conta-se que as salas foram saqueadas de suas obras de arte e tesouros durante séculos. O que ainda se vê são as paredes ricamente pintadas no quarto do papa, a cozinha com uma chaminé comprida, o terraço lá em cima com vista para o Rhône. Há algumas exposições e concertos rolando no verão (consulte o site).

palais des papes

Pra fechar essa volta ao passado, recomendo atravessar a ponte que sai de perto da entrada do Palais (foto no meio) e ir aguardar o pôr-do-sol no meio do Rhône. Ali você vai tirar a grande foto do skyline medieval que ainda sobrevive.

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