Ilhas gregas velejando?

Milos (61)
{Milos, na Grécia: vizinha de Mykonos ou Santorini, porém mais roots}

Quando fui para as Ilhas Gregas, há dois anos, minha viagem não foi exatamente slow. Foi apenas low. Low cost. Rárá.

Engoli seco minha birra de cruzeiros para embarcar no então baratíssimo easyCruise (hoje ainda barato, mas nem tanto assim, já que resolveram incluir duas refeições e arrumação das cabines no preço). O roteiro era de uma semana pelas “Cíclades Alternativas” – sem Mykonos ou Santorini, mas com a-ilha-mais-linda-do-mundo Milos, a baladeira/mochileira Ios, a autêntica/roots Serifos e as descoladas Amorgos e Folegandros. 

Veja bem: eu não suporto cruzeiros. Só que o argumento ali era forte demais: US$ 300 por sete noites em cabine dupla. Ainda mais porque o easyCruise viajava com um navio pequeno, 200 e poucos passageiros, sem lambaeróbica na piscina (nem tinha piscina no navio One) e o melhor: passando mais tempo nas ilhas. Eu podia jantar e fazer balada toda noite e voltar ao navio às 5 da madrugada, pra dormir de manhã, enquanto o barco navegava. Enfim, se há um navio de cruzeiros que possa ser slow, esse é o easyCruise.

E vou contar: se tem um lugar onde vale a pena viajar devagar (mais um), são as ilhas gregas. A Grécia é aquele destino em que você tem certeza de que o Paraíso, se existir, só pode ser um lugar com aquele mar azul absurdo, uma porção de queijo feta caseiro na sua frente, um belo pão com um azeite local sensacional, um polvo ou qualquer peixe recém-pescado no prato, uma jarra de vinho da casa e uma brisa. O quê? Vinho premiado? Haute cuisine? Af! Futilidades terrenas.

Amorgos (24)
{Queijo feta assado com tomate em Amorgos; aqui, o vinho da casa deu lugar à sempre bem-vinda cerveja}

Pois bem, mas pra quem gosta de mar (eu confesso que também não sou muito de cruzeiro porque meu labirinto e aquele indo-e-vindo-infinito não se bicam muito), tem uma forma ainda melhor de viajar slow nas ilhas gregas: velejando. Óbvio?

No meu caso, talvez por questões de falta de intimidade ($$$) com veleiros e barcos particulares, a idéia nunca tinha  passado pela  cabeça. Mas aí recebo no boletim do portal Away, da revista Outside, a mensagem com a chamada: “Velejando na Grécia”. 

Imagina só  alugar um veleiro por uns 15 dias (tripulado ou não, se você mesmo pilota) e flanar ao sabor do vento pelas ilhas gregas! Corri pra ler a matéria, que não tinha muita informação prática, mas uma sugestão de roteiro e o alerta de que velejar pelo mar Egeu é coisa pra iniciados (tempo instável, mar tinhoso, eles dizem, e a melhor época seria setembro, maio e junho).

Dá para ler na íntegra (em inglês)  aqui. No final, eles recomendam entrar numa espécie de expedição de barcos guiada, com meia dúzia de veleiros que seguem um roteiro determinado pelo barco líder, com um velejador experiente. Um troço chamado flotilla.  Mais seguro e uma boa chance de você, velejador amador, ganhar mais tarimba.
Serifos (25)
{E não é que  flagrei um veleiro lá em Serifo? Ô, vida boa}

Dei uma googlada e descobri várias agências de aluguel de veleiros na Grécia. Nessa Odyssey Sailing, um modelo pequeno (3 cabines, 1 banheiro), baseado em Atenas, sai a 1400 Euros a semana, sem combustível ou comida, no período de Maio/Junho ou 19/setembro a 3/outubro.  O marinheiro sai mais 150 Euros por dia.

Até que não é um absurdo, vai? 2500 Euros (somei o marinheiro) dividido por dois casais dá menos de 200 dólares por dia/casal. Pra quem gosta de dormir balançando, é um programaço, não? E bem mais leseira-delícia-vagaroso e ecológico que um cruzeiro.

Alguém se habilita? Se você entende do assunto e quer entrar numa dessas flotillas, a operadora de roteiros regulares como esses é a  Poseidon Internacional.

 

***

Curioso sobre o easyCruise? Reproduzo aqui o post do meu antigo Viajante Consciente, publicado lá no viajeaqui em 2007. Com as ressalvas de que na temporada 2009 a companhia navega com o Life, navio um pouco maior que esse que descrevo, com piscina e mais estrutura de lazer, e arrumação de quartos, café da manhã e almoço ou jantar incluídos na diária. Ou seja, os preços aumentaram.

Milos
{A jacuzzi do easyCruise One: substituta da piscina, era uma pra 200 passageiros – mas nunca ficava cheia}

O cruzeiro perfeito para quem não gosta de cruzeiros

Explico o porquê:

1- O tamanho diminuto do navio – só 232 passageiros – faz com que você possa pagar pouco e ainda assim se sentir num cruzeiro super exclusivo. (Aliás, com ambientes moderninhos, coloridos e bem decorados, e até requintes do tipo flores frescas nas mesas do restaurante).

2- Não há nenhuma daquelas, digamos, extravagâncias dos cruzeiros convencionais: nem jantar (de gala) do capitão, nem show de talentos, nem cassino, nem competição de salsa , nem aeróbica na piscina – aliás, não tem nem piscina, só uma jacuzzi. (Mais um pequeno spa, uma sauna, uma área com espreguiçadeiras, uma pequena academia ao ar livre, um bar, um restaurante cool e uma salinha de internet). Ou seja: não é pra ficar no navio, é pra ficar nas ilhas e ponto.

3- Quem não vê sentido na rigidez de horários dos cruzeiros comuns, que te fazem acordar cedo para aproveitar a parada porque terá que estar de volta a bordo às 18h em ponto, se dá muito bem. O easyCruise só chega a cada ilha ao meio-dia, mas você tem o dia todo e a noite toda pra cair na balada sem preocupações: o horário all on board varia entre 7h e 8h da manhã do dia seguinte!

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{A cabine: o banheiro era quase do mesmo tamanho}

4- O easy é barato mas não você não passa perrengue. Fiquei na cabine acima com janela e duas camas/colchões juntáveis. O banheiro tinha um tamanho muito razoável, com uma ducha inacreditavelmente potente. Até pelo serviço de quarto você paga (€ 10 por limpeza, com troca de toalha e lençóis – quem quiser o serviço pelos 7 dias pagava € 50). Mas os preços de comidas e bebidas dentro navio são bem honestos – igualzinho ao das ilhas. O menu de jantar com prato, sobremesa e taça de vinho custava  € 15. A única coisa bem cara são os passeios organizados pela agência a bordo – mas nada que você não consiga fazer sozinho contratando nas agências locais, depois que desembarca.

5- Até quem não viaja de navio porque enjoa acha vantagem: como o bichinho só navega entre 7h ou 8h e meio-dia, você dorme bem a noite toda, com o navio parado, e pega o finzinho do sono balançando – claro, o melhor é entrar no fuso da galera e acordar bem tarde, com o capitão avisando no alto falante do quarto que em 20 minutos pára na próxima ilha.

Portanto, se você tá louco para ir à ilhas gregas (no verão 2008 e 2009 eles farão  Grécia-Turquia), quer gastar pouco, curtir bastante cada parada, sem ter que disputar espreguiçadeira na piscina e, se possível, não quer nem reconhecer o vizinho de cabine, pela pura falta de convivência, recomendo o easyCruise fortemente.

Só não vá com crianças. Não que o ambiente seja do tipo moçada-solteira-bebendo-todas. Ao contrário, até me surpreendi com a quantidade de casais e do público de meia-idade, de quem se espera que prefira um pouco mais de conforto e mordomia.  O fato é que os pequenos não têm praticamente nada de lazer pra fazer lá dentro. O easyCruise não é um resort flutuante. Tá mais pra ônibus leito flutuante. Mas cheio de bossa.

Ios (105)
{O restaurante do navio: na temporada 2009, eles vão oferecer almoço ou jantar incluído}

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2 Respostas to “Ilhas gregas velejando?”

  1. Guilherme Says:

    Muito boa e barata essa viagem para a Grécia.né?

    Dá até vontade de ir novamente.

  2. Clarice Soares Says:

    Voce sabe dizer se esse curuzeiro ainda existe e por onde posso comprar?
    claricemoda@yahoo.com.br

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