Causos de Viagem: quando a trip começa antes do começo

holiday inn nairobi
{A piscina do Holiday Inn Nairobi, no Quênia}

Amigos, voltei. Nunca mais dou um sumiço desses, prometo. Mas vocês hão de convir que essa viagem foi uma na vida. Valia as férias intransigentes.

Agora começo do começo: minha chegada a Zanzibar. Via Nairobi, pela Kenya Airways, que, aliás, tinha o cartão de embarque mais ecológico que já vi (melhor, só se fosse feito de algodão orgânico):

Kenya Airways

Só que vou ter que retroagir um pouco na história. Não sei se isso já aconteceu com vocês, mas sabe quando você se planeja para começar a viagem num dia, e ela começa ANTES?

Explico: chegávamos nós em Nairobi, num 7 de setembro, podres depois de 7 horas de voo, 3 horas de  conexão no meio da madrugada e mais 4 horas de voo, com a expectativa de dormir num Holiday Inn basicão, acordar no dia seguinte e, aí sim, voar a Zanzibar para começar a viagem.

Primeira chateação: o tal Holiday Inn ficava a 25 km do aeroporto (onde eu estava com a cabeça quando escolhi um hotel tão longe só pra dormir e voltar ao aeroporto no dia seguinte?). Pior: demoraríamos 1h30 para rodar esses 25 km, nos avisou o motorista.

Descobrimos que o trânsito em Nairobi pode ser tão desgraçado quanto o da Marginal Tietê, mas não tanto por culpa do excesso de carros: é que a mesma estrada que liga o aeroporto à capital é também a principal rodovia do país, que leva, por exemplo, a Mombasa, no litoral (o maior porto da África Oriental), ou à estrada secundária que dá na maior atração turística do Quênia, o Parque Nacional Maasai-Mara (famoso pelos safáris de balão para avistar a Grande Migração de mais de um milhão de gnus e outro tanto de zebras e de antílopes até o parque Serengueti, na Tanzânia).

Então chegamos ao hotel. Que por sinal (e surpreendentemente) era bem bonito. Quartos padrão esperado, mas a construção do hotel se espalhava charmosamente por um terreno muito, mas muito verde. Altos jardins e flores por todo lado.

holiday inn nairobi fachada

Tão logo achei o quarto, me estatelei na cama, com o cérebro já em Marte, de tão cansada. E meu marido foi atrás do business center pra usar o skype e dar aquele alô ao Brasil e avisar que estávamos vivos.

Qual não foi minha surpresa quando ele (um dos seres mais sociáveis que já veio a este mundo) volta ao quarto dizendo: “Clau, tá rolando um jantar da Embaixada Brasileira em Nairobi aqui no hotel, daqui a 15 minutos, em comemoração ao 7 de setembro. Já temos nome na lista, vai pro banho, rápido”.

Cuma?

Como é que o sujeito passa dez minutos fora do quarto e volta com um convite para um jantar da Embaixada Brasileira?

Pois lá fomos nós, com grandes olheiras, de calça jeans e camiseta (ele) e vestidinho de algodão (eu), ao tal jantar do Sete de Setembro. Nos sentindo mais brasileiros do que nunca. (Pergunto: quando na sua vida você comemorou o Sete de Setembro? Eu, nunca. Precisei ir ao Quênia pra isso).

Na verdade o jantar era um churrasco com comida indiana (é, também não entendi), à beira da piscina, com direito a show de chorinho. E show bom. Só gostaria de saber de onde veio aquele grupo, composto 100% de brancos. Morariam lá? Teriam vindo do Brasil? Da África do Sul? Mistério…

Todos os convidados ficavam em pé (ainda bem), ao redor de mesinhas bistrô altas. Falavam não só português, mas espanhol e inglês. Obviamente, a maioria estava de terno ou tailleur, como a simpática embaixadora, a quem não fomos apresentados. Aliás, não falamos com ninguém, a não ser um cumprimento rápido à filha de um oficial de chancelaria: era ela a pessoa que estava no business center e nos convidou (em circunstâncias ainda não inteiramente esclarecidas) para o jantar.

Comemos, bebemos, dançamos, passamos uma hora ali, se tanto. Depois cama. Bem felizes. Não é que o roteiro começou antes do previsto? Aquela primeira noite perdida da conexão virou um belo causo?

Viajar tem dessas coisas. Lindas coisas.

PS: não, não tenho fotos pra provar. A gente estava tão atordoado que nem pensamos em sair do quarto com a câmera. Também, só faltava a gente ser penetra e ainda ficar largando flashes na cara do povo. Mas a piscina no topo do post é onde ocorreu o convescote. Coisa fina.

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2 Respostas to “Causos de Viagem: quando a trip começa antes do começo”

  1. CarlaZ Says:

    Que bom…uma festa…e surpresa num dia morto de viagem!
    Aliás é tão bom quando esses acasos acontecem em viagens né…
    Agora de volta já vi que teremos mil posts!

  2. Claudia Carmello Says:

    Sim, CarlaZ. Muitos posts, fique por aqui. Abraço!

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