Arunachal Pradesh: que raio de lugar é esse?


{Ponte de bambu feita pelos habilidosos Adi no Rio Siang. Foto da Wanderers}

E o destino de hoje é: a floresta de Arunachal Pradesh, no extremo nordeste da Índia, e suas tribos Adi

Há quem chegue lá pra se embrenhar na selva, aos pés do Himalaya. Só de orquídeas, ela tem 500 espécies. De bambus, mais de 30 tipos. Faisões, são 10; veados, quase isso. Há ainda elefantes, tigres e ursos negros.

A floresta ali só é devassada com facilidade pelos rios caudalosos. E pontuada por pequenas vilas onde vivem quase 100 sub-etnias diferentes, divididas em 26 grupos tribais, falando 50 dialetos próprios. Isso tudo em um território pouco menor que o estado de Santa Catarina.

Arunachal Pradesh é isolado até no mapa da Índia. Se pensarmos o país como um triângulo apontando para o sul, o estado é um rabicho de terra no extremo nordeste, depois que começa e termina o território de Bangladesh, e bloqueado entre Butão, Myanmar e China (a China disputa com a Índia o  território).

Arunachal foi também o último estado indiano a autorizar a entrada de estrangeiros – hoje, a permissão de permanência é de 10 dias e viajante independente não entra. É preciso estar num grupo de pelo menos quatro pessoas (para ser bem sincera, eu não me arriscaria por lá sozinha, não). 


{Mulher Adi em sua casa de bambu. Foto da Getty}

Mas 10 dias é um tempo  mais do que bom  para se embrenhar pela selva, caminhando de dia, acampando de noite, e passando pelas vilas Adi, o grupo tribal mais notável dali, que vive às margens do Rio Siang.

Os Adi (“homem das colinas”) são peritos na manipulação do bambu que faz suas casas e pontes. Conta-se 100 mil deles na região. Plantam arroz, bebem um fermentado alcoólico de painço (um grão), comem pássaros, besouros vivos e, preferencialmente, ratos. Criam uma espécie de touro chamado mithum, só abatido e devorado em cerimônias religiosas.

{A dança das mulheres da vila. Foto da BBC}

São conhecidos pela organização política altamente democrática. Em cada tribo há um xamã, mas as decisões são tomadas em assembléias onde todos dão suas opiniões. Só não há como contrariar os deuses.

Os Adi são animistas, e acreditam que os elementos da natureza são espíritos. Quando estão enfurecidos, eles mandam doenças sobrenaturais e má-sorte à tribo. Por isso, todas as festas implicam em sacrifícios para aplacar essa fúria.

O principal deus é o Sol-Lua, o guardião das leis morais. Ele prega que haja dormitórios separados para garotos e garotas, durante a adolescência. Mas não condena a poligamia, largamente praticada entre os adultos.


{Famosos xales Adi. Foto da BBC}

Onde raios fica isso? 26º10’  N, 94º46’  L

Rá! No vale do Rio Siang, em meio à selva de Arunachal Pradesh, aos pés do Himalaya indiano.

E como eu chego lá? De Calcultá, são três horas de vôo até Dibrugarh, no estado de Assam, e mais três horas de balsa sobre o rio Brahmaputra até Pasighat, um dos portais de entrada de Aranuchal Pradesh. De resto, é explorar a área a pé.

Alguém me leva? A inglesa High and Wild  ou a indiana The Wanderers

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Lesoto, África
Serra Fina, Brasil
Montanhas Hindu Kush, Paquistão

Isla del Coco, Costa Rica 

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