Taganga, Colômbia: o que essa vila NÃO é


{A aconchegante baía de Taganga)

Chegamos em Taganga meio ressabiados. Eu nunca tinha ouvido falar desse lugar antes de os amigos que inventaram essa viagem resolverem mudar o plano inicial de passar a virada do ano em Cartagena pra passar em Taganga.

O que me disseram foi: “Cartagena é grande e muito turística, vamos passar o dia 31 numa praia menorzinha, mais alternativa: Taganga”. Do argumento eu gostei. Mas será mesmo que essa vila era legal? Resolvi pesquisar melhor, mesmo sabendo que, em viagens com grupo de amigos, as decisões acabam saindo um pouco do seu controle.

O que consegui apurar naquela correria de final de ano, com uma amiga jornalista que tinha acabado de ir, foi isso: é uma praia descolada, 3 horas ao norte de Cartagena, pertencente ao município de Santa Marta. Fica a meia hora do aeroporto de Santa Marta, é uma vila de pescadores e um centro de mergulho às portas do Parque Nacional Tayrona, cheio de praias desertas.


{A porção da orla ocupada por barquinhos}

Depois, o Lonely Planet dizia que era uma praia em baía pitoresca, cheia de europeus mochileiros, de atmosfera relaxada e reputação notívaga. 

Procuramos hotel  e na prática só achamos um com cara de confiável: o Ballena Azul. Quase todos os outros eram albergues em casarões. Deve ser bem roots mesmo, imaginamos. E nossa imaginação brasileira e otimista imaginou um roots tipo Caraíva – ruas de areia, sombras de amendoeiras, um rústico com charme. Só que com albergues ao invés de pousadas.

Bom, não era bem isso, não. (Evidente que um lugar a meia hora de táxi de um aeroporto não seria como Caraíva. Mas, enfim, a gente é meio Pollyanna quando está precisando de férias desesperadamente).

Chegamos à noite, direto no hotel. O Ballena Azul era tudo o que prometia: uma pousada com certo conforto (ar-condicionado, frigobar, TV a cabo, telefone no quarto).


{Quarto fofo e equipado: só faltou chuveiro quente}

Tinha áreas comuns até charmosas.


{O pátio interno com jacuzzi do hotel}

Era de frente paro o mar, com cadeiras e caminhas na areia e serviço de praia.


{O lobby com a praia na porta}

O problema é que era na esquina da principal rua de acesso à vila com o início do calçadão de Taganga.

Calçadão? Pois é, esse foi o primeiro baque. Talvez Taganga tenha sido como Caraíva há 20 anos. Mas hoje ela tem um projeto urbano esquizofrênico. É uma praiota numa baía fechada, com uma rua principal cortada por umas dez transversais. Só que as ruas foram cimentadas e há um calçadão com mureta, bancos, quiosques, como se aquilo fosse um grande balneário. 

Em resumo: Taganga tem  tamanho para ser um pequeno vilarejo charmoso, como Caraíva, mas projetou uma orla a la Guarujá. Bizarro. 

O primeiro passeio noturno foi broxante.  A avenida da praia era ocupada por alguns restaurantinhos e bares legais, mas outros meio degradados,  e também  agências de turismo e mercadinhos sujinhos – um deles tinha uma balada no segundo andar, toda aberta, com meia dúzia de gatos pingados, e mesmo assim com uma insuportável música eletrônica altíssima que se ouvia em toda a orla. 


{O que esse calçadão está fazendo aqui?}

De manhã, pior: o tal calçadão estava em obras. E todos os quiosques ficavam fechados (pudera, cadê a demanda  pra tanto quiosque?). Vans e táxis chegavam do centro de Santa Marta (tipo uma Guarapari da Colômbia) e deixavam direto na frente do nosso hotel a galera que veio passar o dia na única área habitável da orla de Taganga, onde não havia calçadão (a frente do nosso hotel). O resto da praia era portinho dos barcos que faziam passeios.

Ou seja: passar o dia em Taganga, no way.

Mais do que  imediatamente fomos atrás da trilha de 20 minutos entre Taganga e a Playa Grande (recomendada pelo Lonely Planet). Quem era preguiçoso podia ir de barco, ao preço de 6000 pesos colombianos (uns 6 reais por pessoa).

Mas a Grande era pior ainda. Uma farofa desgraçada, banana boat, barracas de camping na areia e um assédio insuportável de vendedores ambulantes, garçons de restaurantes e donos de cadeiras  pra alugar. Será que era culpa do Reveillon? Será que o problema era a alta temporada?


{Uma dessas barracas-restaurante estava em construção: vai ter dois andares}

No desespero, vimos que no morro do fim da praia tinha outra trilha. Fomos andando e achamos algumas enseadinhas minísculas e lindas, vazias. O problema era que não eram de areia, mas de pedra, ruim de deitar com as cangas fininhas que a gente tinha. E ruim de entrar no mar porque o pé doía com as pedrinhas. A maioira delas ainda era base de pesca – os pescadores abrigados em barracos de palha não deixavam ninguém nadar, para não estragar as armadilhas nem enroscar nas redes.

Meu Deus! O que nós vamos fazer nos outros dias? Foi o pensamento em coro. O jeito seria pegar lancha todo dia para as tais praias desertas do Parque Tayrona – como a Playa Grande, formalmente, já era dentro do Parque, começamos a temer a noção de desertas que nos passaram.


{Enseadinha sem nome: vazia, mas dos pescadores}

O próximo capítulo eu conto amanhã.

(Mas já adianto que a solução do imbroglio  foi reenquadrar o status de Taganga na nossa cabeça: não é destino, é base).  

***

Mais da série Colômbia:

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Colômbia: a la orden (resumo da viagem)

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7 Respostas to “Taganga, Colômbia: o que essa vila NÃO é”

  1. Luca Says:

    Ainda bem que não fui pra Taganga. Tem gente que segue o Lonely Planet como uma bíblia e os lugares sossegados e simpaticos reunem tanta gente que não ficammais sossegados e simpáticos. Fora que, australiano de 20 anos que só come miojo pra poder gastar a grana economizada em cerveja não dá.
    Tyrona já é bem mais simpático, mas me incomodou MUITO o fato de não ter encontrado um colombiano como hóspede. Só tinha gringo.

  2. Camila Says:

    Enquanto você ainda falava do hotel eu estava até esperançosa com Taganga… Talvez em baixa temporada seja mais fácil encontrar um lugarzinho aconchegante. Quem sabe?😉

  3. Playa Brava: o paraíso a um barco e uma trilha de distância « um outro modo de viajar Says:

    […] as limitações de Taganga, ao fim do primeiro dia de viagem fomos a uma das operadoras de mergulho da vila, na […]

  4. Walter Leite Says:

    Baia de Taganda pelas fotos e pela leitura da curtição de vocês deve ser um lugar muito bacana.
    Gostei, vou seguir.

  5. Rogério Rocha Says:

    Taganga é fora de série. Tive la nesse verão (2012) e foi muito bom. Além de ser próximo de outros pico, o astral de lá é elevadissimo, sem contar o tanto de gringaaaa. Perfect!!!!

  6. Jonathan P. Salomon Says:

    tenho que dizer que nao concordo, é uma opinião bem pessoal, não vale como dica para ninguém.

  7. Pequenas anotações de viagens virtuais 52: educativas - Uma Malla Pelo Mundo Says:

    […] vila de Taganga, para visitar o Parque Nacional Natural de Tayrona. Realçou os pontos positivos e negativos da vila e de quebra, ainda revelou uma praia para “turistas que chegam”: a Playa Brava, […]

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