Playa Brava: o paraíso a um barco e uma trilha de distância


{A praia dos sonhos existe. Mas dá um trabalhinho chegar lá}

Descobertas as limitações de Taganga, ao fim do primeiro dia de viagem fomos a uma das operadoras de mergulho da vila, na rua da praia, para tentar entender melhor o que era o vizinho Parque Nacional Tayrona.

Olhando um imenso mapa das praias do parque na parede da loja, fomos indagando o atendente. Queríamos:
a) uma praia sem muvuca
b) bonita
c) de areia
d) a pouco tempo de barco de Taganga

Na conversa, fomos percebendo que o lado oeste (onde estávamos) e o lado leste do parque eram diferentes. O que todo mundo chamava de Tayrona era o lado leste, cercado de floresta e com praias de areia. Nós estávamos no setor árido, com vegetação de caatinga à beira mar, e com uma maioria de praias de areia dura com pedras.


{Mapa de Tayrona pintado no vidro de uma van de passeios}

A praia mais bonita do nosso lado seria Bahía Concha, com areia, a meia hora de barco de Taganga, mas como tinha estrada até lá, estaria lotada.  

Mas não tem outra praia linda perto?, perguntamos. Tem sim, Playa Brava.  Mais perto que Concha, só que é preciso pegar 20 minutos de barco até a enseada de Granate, depois mais 20 minutos de trilha até Brava. É totalmente deserta.  Deserta?

Mais que depressa marcamos o barco para o dia seguinte.

Granate tinha três enseadas: era preciso desembarcar na última e fazer a trilha. Chegando lá, havia só uma casinha de pescadores, uns cachorros, alguns locais. E um morro bem alto: a gente teria que subir tudo, descer tudo do outro lado pra chegar à Brava.

Três garotos vieram se oferecer para nos guiar pela trilha. No começo eu fiquei meio injuriada: pra quê pagar os meninos se disseram que dava pra fazer a trilha sozinho? Fora que dois estavam com paus e um com um facão gigante na mão. E a gente em dois casais.


{Eis o morro que tínhamos que subir e descer pra chegar à Brava}

Bom, seguimos os três, meio alertas. E agora digo: santos moleques! A trilha de subida do morro não era muito óbvia, e era bem íngreme – não ia ser nada legal se perder e ficar subindo e descendo pra se achar. Chegando no topo…

Que vista! E um vendaval insano, de descolar as bochechas do rosto (e de te fazer agradecer às aulas de ioga pelo equilíbrio conquistado).

A trilha pra descer era muito pior. Mais íngreme, o que fazia a gente se abaixar pra caminhar, às vezes. E chegando lá em baixo, uma restinga cheia de cactos e árvores de espinhos que se entrelaçavam – agora sim eu entendia o facão do garoto. A trilha era meio casca mas no total durava só 20 minutos mesmo.

Chegando à areia, tchan tchan tchan tchan… Ninguém, meus amigos. Nem uma alma viva. Nem uma construção. Uma areia fofa no começo, batida perto do mar, e um mar bravo. Como é bonito mar com ondas, não?

 

Do lado esquerdo tinha uma micro falésia que salvou a nossa pele: garantia a sombrinha.

Achar a Brava foi um alívio absoluto. Então tinha valido à pena vir até a Colômbia pegar praia. Então não estávamos condenados a um banho de mar com 345 vizinhos, nem à farofa na areia. Uhu!

(Bem, tivemos que nós mesmos providenciar a farofa, comprando um isoporzinho com cerveja, água e bolachas no mercadinho antes de ir. É o único jeito de sobreviver, porque não tem nada na Brava).

Horas mais tarde, umas 15h30, nossos guias vieram de novo pra ajudar na trilha. Porque 16h a lancha estava de volta para nos pegar. (Graças ao fuso, 3 horas a menos que Sampa – eles não têm horário de verão – , a gente acordava cedo na Colômbia, pelas 8 da manhã).

Foi um dia de sucesso. Tanto que voltamos no dia seguinte à Brava, com mais dois casais. E passamos mais um dia com a praia inteira só pra nós.


{A baía de Granate na trilha de volta}

Foi um dia também para reforçar a velha máxima: em alta temporada, praia boa é só a difícil de chegar.

***

Mais da série Colômbia:

Taganga: o que essa vila É

Taganga: o que a vila NÃO é
Colômbia: a la orden (resumo da viagem)

Tags: ,

8 Respostas to “Playa Brava: o paraíso a um barco e uma trilha de distância”

  1. Carol Wieser Says:

    Adorei!

    Eu que sou pé na areia, e adoro uma aventura … achei a praia perfeita!! O cooler também… principalmente se estiver cheio de guloseimas e algumas berejas para acompanhar. Oba.

    10!

  2. Ricardo Summa Says:

    Oi Claudia,
    Parabéns! Muito bom seu blog.
    Estou indo pra Colombia e suas dicas vão ajudar muito.

  3. Luiz Says:

    Essa praia Brava é incrivel mesmo.

    Eu recomendo muito!
    Ficar sozinho com sua turma, no dia 29 e 30 de dezembro, em uma praia linda é um super achado.

  4. Carmen Says:

    É bem “brava” issa praia. O nome é corretíssimo: Playa Brava!!!
    Bjs

  5. Eliane Alfajores Empanadas e Cafés. Says:

    Minha superquerida Caramelo,

    Como eu já insisti, por diversas vezes, por um novo post, desta vez apenas sugerirei um tema.

    Por favor, escreva sobre Buenos Aires e outras maravilhas da Argentina. Faça isto pelo meu coração tristonho diante da derrocada do emotivo time de meu ídolo Maradona.

    Muito obrigada pela compreensão de meus motivos ludopédicos.
    Um beijo.
    Eliane

    • Claudia Carmello Says:

      oi querida! Obrigada pelas cobranças, me ajudam a não desistir de me organizar para retomar o andamento do blog. Ainda mais com esse chute certeiro que você deu: não é que acabo de voltar de Buenos Aires? Prometo no final de semana começar a postar coisinhas queridas sobre nossa cidade querida. bejo, Claudia

  6. Maria melo Says:

    Olá, gostei muito do seu blog.

    Apenas queria dizer que a playa brava de facto existe no parque mas não foi essa que foi. É um trilho de 3h e mora lá uma família de indígenas. É de difícil acesso, ou 3h trilhos incertos e muito íngremes e com temporal incerto ou de mar e tem que se nadar do barco até à praia 5metros em grande ondulação(o barco devido às ondas não chega à praia)! Os meninos do parque indicaram certamente uma mais perto em troca de dinheiro, desculpe desiludir, acredito que a praia que foi tenha ido, mas a Playa Brava é o paraíso mais isolado que ate agora conheci!beijinho, boas viagens

  7. viagra Says:

    Que viagem fantastica, quem sabe um dia posso visitar este lindo lugar. Att. Claudia alves.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: