Archive for the ‘preliminares’ Category

Colômbia, aqui vou eu

domingo, dezembro 27, 2009

Leitores do coração:

Este blog estará de férias até 5 de janeiro (na realidade, já entrou há uma semana, hehe).

Embarco amanhã para a Colômbia, cheia de curiosidade e com uma necessidade absurda de passar dias e dias SEM FAZER NADA. Mas querendo pular ondinhas em terra estrangeira.

(A pulga atrás da orelha: será que nuestros hermanos latinos conseguem comemorar o Reveillon com um fervor minimamente contagiante? Minimamente parecido com o nosso?)

Meus comentários, com fotos, a partir de 5 de janeiro, neste blog.

Um feliiiiiiz ano novo e um 2010 com recorde de viagens pra todos nós!

Claudia

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Depois do sofá-cama, chegou o sofá-mala

segunda-feira, novembro 9, 2009

dzn_Suited-Case-by-Erik-De-Nijs-03

A pergunta de hoje, ainda na onda de design que tomou conta deste blog na última semana, é:

Naquele fatídico dia em que você tem que passar hooooras no aeroporto, o que você daria para ter malas que viram um sofá?

sofá-mala

A ideia de gênio foi do designer holandês Erik De Nijs. Trata-se de uma coleção de 4 malas que são conectadas para virar um sofá. Praticidade? Nada, o dono da obra jura que foi motivado por nostalgia mesmo.

Segundo ele, o melhor jeito de não sofrer saudades de casa em viagem é levar uma parte do lar com você. E nada mais familiar do que o seu querido sofázinho. A gracinha esteve em exposição na Dutch Design Week em Eindoven, no fim do mês.

Quer comprar? A empresa do cara é a Nieuwe Heren.  

(Notícia e fotos do Geeklogie)

A pedidos: 48 horas em Santiago do Chile

quinta-feira, outubro 15, 2009

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{O Mercado Municipal: para cair de boca nos mariscos chilenos}

Interropemos a programção de posts “viagem à África”  para atender aos leitores órfãos dos posts sobre Santiago do Chile lá do meu antigo blog, o Viajante Consciente, que estão pedindo ajuda aqui na caixa de comentários.

Como o Viaje Aqui adotou a ferramenta WordPress recentemente, posts de blogs desativados saíram do ar. Não vai dar pra reproduzir tudo (ao menos não agora), mas republico aqui o post resumex, 48 horas em Santiago do Chile (datado de agosto de 2008). Já vou avisando que ele é gigante. Mas é só pra apagar o incêndio, tá, Patrícia e Nélio?

Buen provecho, chicos!

O que fazer em um fim de semana na capital chilena


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{Zully: muito mais romântico no jantar}


Sexta-feira à noite

21h30 – Chegada em grande estilo

Nada de descansar. Sexta e sábado são os melhores dias da noite santiaguina, então aproveite. Há três programações possíveis. Quem estiver viajando a dois e quiser entrar com tudo no romantismo, rume para o bairro Concha Y Toro, um cantinho de casarões históricos e totalmente europeus do Barrio Brasil. Ali fica o restaurante Zully (Conha Y Toro, 34, 56-2-696-3999). Pétalas de rosas forram as escadarias de entrada e pode-se sentar em salinhas privativas ou com vista para a praça mais charmosa da cidade.

Para esticar a noite na agitada vizinhança — e tomar os primeiros pisco sours do fim de semana — o bar Boulevard Lavaud dá um banho de autenticidade: divide uma mansão de esquina com a Peluqueria Francesa, uma barbearia que tem mais de cem anos, e usa como decoração pias de cabeleireiro e demais móveis de salão de beleza em meio a peças de antigüidade que estão à venda.

Já quem veio com os amigos e quer entrar de cabeça no bairro boêmio por excelência, Bellavista é o destino. Entre os novos restaurantes bacanas, o Santería tem decoração retrô e com interessante cardápio fusion de culinárias latino americanas — peça o primeiro dos vários ceviches que te esperam.

Quem está na chuva é pra se molhar, então, continue a noitada no Ky, o resto-bar mais cool de Bellavista, na ambientação e nos freqüentadores, ou ouça o melhor do jazz e do blues nos shows do pequeno El Perseguidor — se der sorte pode ouvir o ótimo Angel Parra Trio, banda do neto de Violeta Parra, a compositora mais querida do Chile.

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{Angel Parra Trio botando o El Perseguidor abaixo}

(Se for um aficionado por jazz, confira antes a programação do Club de Jazz – no bairro de Ñuñoa, o templo do ritmo na cidade.)

  

Sábado

9h – História na veia

Como ontem a madrugada não foi longe, acorde cedo para começar o circuito histórico do centro. Tudo fica concentrado e dá pra fazer o passeio inteiro a pé. Comece na Plaza de Armas (metrô Plaza de Armas), o marco zero onde Santiago del Nuevo Extremo foi fundada em 1541 pelo espanhol Pedro de Valdívia e sua trupe.

Ali ficam a Catedral Metropolitana, o elegante prédio dos Correios e o Museo de História Nacional, com pequena e consistente coleção de objetos, roupas e mobiliário colonial. Uma quadra a leste fica a Casa Colorada, a residência particular colonial mais preservada da cidade.

Depois volte para pegar o calçadão Paseo Ahumada, a artéria comercial do centro. Caminhe por ali entre famílias de classe média que vêm trazer os filhos para ver os artistas de rua e fazer compras na Falabella, uma das poderosas lojas de departamento do país.

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{Café con piernas: conservadorismo chileno onde?}

Não deixe de reparar nos cafés con piernas, o Caribe e o Haiti, tradicionais cafeterias em que as garçonetes servem o expresso metidas em apertados minivestidos.

Dobre à direita na rua La Moneda, passe pelo charmoso prédio da Bolsa de Valores até chegar ao Palacio La Moneda, a sede do governo federal. Programe-se para estar ali às 10h — em dias alternados, acontece a troca da guarda na Plaza de la Constitución, em frente ao palácio.

Se não for dia dela, entre pela porta da frente de uma das poucas sedes de governo no mundo abertas à visitação pública, e aprecie os pátios internos enquanto lembra dos dramáticos bombardeios de 1973, quando Augusto Pinochet deu o golpe militar que levou ao suicídio o presidente socialista Salvador Allende.

Na saída pelo lado oposto, não perca o novo Centro Cultural La Moneda, no subsolo do palácio. Tem exposições super bem cuidadas, um público bacana, um café e uma loja lindona da Fundación de Artesanías do Chile (dá ótimas compras).

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{Prefeitura: parte do barrio civico, logo na Plaza de la Constitución}

Volte à superfície e caminhe algumas quadras pela principal avenida que corta Santiago de leste a oeste, a Libertador Bernardo O’Higgins, muito mais conhecida por Alameda.

No sentido leste, tarda pouco até aparecer a construção mais antiga da cidade, a Iglesia de San Francisco. Há um importante museu de arte sacra ao lado. Atrás deles fica o fofo Barrio Paris-Londres, um pedaço da Europa no meio de Santiago, com ruas de paralelepípedos e mansões dos anos 1920 — hoje região de albergues e mochileiros.

12h30 – Pit-stop panorâmico

Santiaguinos não almoçam cedo, portanto, agüente um pouco mais a fome. Caminhando pela Alameda mais duas quadras chega-se ao imponente prédio da Universidad de Chile, à direita, e pouco mais à frente, ao da Biblioteca Nacional, à esquerda.

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{Cerro Santa Lucia: parque cheio de casaizinhos apaixonados}

Ao lado da biblioteca fica o Cerro Santa Lucia, a menor das duas colinas isoladas que despontam no meio da cidade e que viraram parques. Suba pela pomposa Escalinata Monumental, passe a fonte de Netuno e continue escalando caminhos tortuosos e degraus de pedra até o topo do pequeno castelo. Do cume tem-se uma idéia de como Santiago fica cercada de montanhas por quase todos os lados, e da distribuição dos bairros em relação ao centro.

13h30 – Arte e novas inspirações

Desça do Santa Lucia por trás, na saída norte, e você já está na porta do bairro Lastarria y Bellas Artes, um naco do centro que concentra os museus e o público ligado à arte, os cafés mais bacanas e lojas de estilistas alternativos.

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{O Patagônia: cordeiro com alfajor}

Aos sábados, vários dos restaurantes dali só abrem de noite, mas o Patagônia Resto Bar serve desde o brunch da manhã: sente-se nas mesas da calçada de esquina, se for verão, ou no salão entre paredes inteiras forradas de vinhos, se estiver frio, e mande pra dentro uma parrillada de carnes de caça.

Depois caminhe até a Plaza Mulato Gil de Castro, o coração do bairro, e dê uma olhada na tradicional feirinha de antigüidades e livros, bem pequenina, em frente ao pátio do Museo de Artes Visuales, o MAVIEntão entre para ver o acervo de arte contemporânea lindamente organizado no prédio de arquitetura moderna: passeio rápido e muito bom.

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{Arte contemporânea é o Museu de Artes Visuales – MAVI}

Depois vá conferir as lojas bacanas em frente ao museu e as da Calle Merced  – são vários endereços que concentram roupas e acessórios dos novos estilistas do país, ainda sem lojas próprias. Na ONA fica uma das melhores seleções de artesanato de todo o Chile, a preços acessíveis. Não perca o aconchegante ONA Café, quase na esquina da Rosal com a V. Subercauseaux.

Finalize o passeio tomando os sorvetes do Emporio La Rosa, com sabores que combinam, por exemplo, chocolate com manjericão. De preferência, tome-o caminhando pelo Parque Forestal, em frente, um dos mais queridos da cidade e onde se pode descansar à sombra das árvores, em bancos ou mesmo esparramando-se aos pés dos troncos.

16h30 – O luxo globalizado

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{Avenida Alonso de Cordova: vitrines cheias de importados}

Se conferir o que há de mais chique nas vitrines santiaguinas for uma prioridade (eu acho esse prgrama mala, mas sempre tem que goste), pule alguma etapa em Lastarria e vá mais cedo à Alonso de Córdova, em Vitacura. É nessa avenida arborizada e com árvores rodeadas de jardins que estão as marcas internacionais de luxo como Louis Vuitton, Hermés, Burberry ou Armani.

Além de galerias de arte e lojas de estilistas chilenos consagrados. Dali pode-se continuar caminhando pela avenida Vitacura, onde ficam mais lojas, como a italiana Diesel, e fazer um break para o chá e um doce típico chileno na tradicional Dulcería Montolin, ou um sanduíche no Le Fournil, uma boulangerie francesa que mantém um pequeno restaurante com terraço. Volte ao hotel para descansar porque a noite será longa.

21h30 – Jantar e esquenta

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{O petit gateau de chocolate e coco do Astrid y Gastón: não cogite não pedir}

Sábado é quando os santiaguinos jantam mais tarde, mas em alguns restaurantes mais elegantes é bom não exagerar no horário (e reservar sempre). Um dos melhores cardápios da cidade fica em Providencia, no peruano fusion Astrid y Gastón. Os peixes, massas e carnes têm receitas inovadoras e são preparados impecavelmente, assim como as delicadas sobremesas que precisam ser pedidas junto com os pratos — são feitas na hora.

Se quiser gastar um pouco menos, o bistrô Del Cocinero é a pedida: despretensioso e delicioso. Depois dele estique a noite no bar mais imperdível da cidade, ali perto, o Ligúria, na avenida Providencia, perto do metrô Manuel Montt, com decoração irreverente, gente de todo tipo e carta de vinhos e drinques imensa.

Não abre mão de um programa de alto nível e quer conferir as novidades dos bairros classe A? Então comece a noite em Vitacura, o playground da elite. O jantar mais quente do momento é o do Mestizo (ao menos, era, no início de 2008), onde a moçada produzida se senta nas mesas ou no balcão para comer, beber e curtir o visual do Parque Bicentenario, em frente, todo iluminado.

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{A moçada arrumada que se apinha – bem feliz – no Mestizo}

Ali pode-se esticar até tarde ou fazer escala em um bar antes de realmente sair para dançar: o pub Dublin é o lugar para quem curte música dos anos 80 e cerveja; o Esquina é um dos bares xodó da galera de 20 e poucos anos.

Casais e grupos mais exigentes com relação à comida fazem bem em jantar no Nolita, um dos melhores italianos da cidade, no meio da elegante avenida Isidora Goyenechea, em Las Condes. E esticar no sexy Lamu Lounge, bar do complexo gastronômico de Vitacura Borderío.

Quem gosta mesmo é de uma noite bem democrática e nem um pingo menos fervida pode jantar em Bellavista, no Etniko, que tem comida japonesa e asiática e DJs mandando um chil-lout.

Mas se seu ideal de sábado à noite é economizar no rango para torrar tudo em bebida mais tarde, o Galindo é o restaurante-boteco mais amado de Bellavista — peça um pastel de choclo, umas empanadas ou qualquer prato típico com uma cerveja Kunstmann enquanto espera o horário de cair na farra — a lotação ali vai até alta madrugada, não se preocupe.

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{Cardápio do Galindo: botecão de especialidades chilenas}
 

2h – A noite é uma criança

Duas da manhã é horário para chegar em qualquer bom carrete (balada) da cidade. Quem ficou por Vitacura pode conferir o Las Urracas, boate imensa com duas pistas, house, tecno e reggaeton, que enche de mauricinhos e de todo o tipo de gente – eu achei breguíssima, mas de fato estava bombando.

Em Bellavista, o Club La Feria é o templo da música eletrônica e do energético, e as salsotecas são onde se pode dançar música latina a dois.

Quem gosta de hip hop, soul, funk, música dos anos 70 e algo dos 80, e dispensa ambiente e público arrumadinho, o El Tunel, em Bellas Artes, é o lugar: impossível não dançar a noite inteira.

 

Domingo

10h30 — Programa família

Dia mais light depois de um sábado agitado. E nem adianta querer se apressar porque domingo é o dia mais sonolento da cidade, quando os santiaguinos descansam em casa, com a família, quase todo o comércio e boa parte dos restaurantes está fechado, e o movimento se concentra todo nos parques, shoppings e museus (a maioria é de graça no domingo).

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{Poesia de Neruda nos tótens de sua La Chascona, a casa onde o poeta morou}

Comece o dia na linda La Chascona, que foi casa do maior poeta chileno, Pablo Neruda, com sua terceira esposa, Matilde — o nome da casa vem do apelido da amada, que tinha os cabelos revoltos (La Chascona seria o espanhol para “a descabelada”). Hoje é um museu com um passeio guiado emocionante pela vida e obra do poeta, que desvenda as excentricidades de sua morada. Absolutamente imperdível.

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{Terraza Bellavista, no Cerro San Cristóbal: ponto de encontro de ciclistas}

Saia dali para o Cerro San Cristóbal, logo atrás, a maior colina da cidade e transformada no Parque Metropolitano.  Pegue o funicular para chegar até a Terraza Bellavista, onde todos os ciclistas que subiram o morro pela estrada se reúnem para desfrutar do visual em 360º de Santiago e tomar um mote con huesillos. (Se você for com crianças, desça uma estação antes do funicular para o Zoológico, simplesinho, mas que agrada os pequenos).

Fique ali curtindo o astral dessa tribo esportista, e depois suba a pé um curto caminho até o Santuario Inmaculada Concepción, bem no topo da colina, onde está a estátua da santa e uma capela concorrida. Desça pelo outro lado do monte com o teleférico e depois a pé, passando pelo Jardin Botánico Mapulemu e o Jardin Japonés, até a saída pela rua Pedro de Valdívia Norte, já em Providencia (a caminhada é longuinha; vá de tênis).
 

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{O Jardin Japonés, pequenino e fofo}

14h – Frutos do mar e múmias milenares

Caminhe um pouco pela rua de casarões elegantes e entre as árvores e pegue um táxi para o Mercado Municipal (foto no topo), à beira do Rio Mapocho, na fronteira norte do centro da cidade. Ali ficam barracas de peixes e frutos do mar — sua última chance de entender como que é que a macha se distingue do loco ou ver a cara do centolla (um caranguejo imenso) inteiro, se você não teve coragem de pagar para comê-lo num restaurante.

Se amar frutos do mar e relevar a multidão, sente-se num dos dois restaurantes que dominam o hall central para comer todos os seres marinhos que agüentar. Senão, peça apenas umas empanadas de mariscos ou queijo com camarão e forre o estômago antes de partir para o melhor museu da cidade.

Pode-se pegar o metrô para chegar à Plaza de Armas, a uma quadra do Museo de Arte Precolombino. Ele guarda uma coleção impressionante de peças de arte e utensílios de dezenas de povos indígenas de toda a América Latina, que dominavam o território antes da chegada dos espanhóis.

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{Museu de Arte Precolombino: o melhor da cidade}

Além de sair dali um expert na diversidade de culturas nativas, você ainda vê as múmias chinchorro, 2 mil anos mais antigas do que as egípcias. Depois, pegue um táxi para terminar o domingo onde toda a cidade (que não voltou para casa) se reúne.
 

17h – Programa família 2

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{Bulevar Parque Arauco: mesmo não querendo, você vai acabar aqui no domingo}

 O bulevar do shopping Parque Arauco é onde Santiago ferve no domingo. Fica em Las Condes e é a área de entretenimento do centro comercial mais unânime da capital. 

Ao ar livre, entre os blocos gigantescos de lojas do shopping, ele reúne restaurantes de grandes redes, cafés, docerias, cinemas, teatro, boliche… Há um palco com shows ao vivo (no verão), ao redor do qual famílias, grupos de adolescentes e turistas se reúnem.

É também a última chance de comprar vinhos chilenos e presentes — há lojas legais ali, como a Apple, a El Mundo del Vino, a de maquiagens M.A.C.  Para se despedir da cidade de um jeito bem santiaguino (e meio paulistano também).

***

Mais sobre Santiago neste blog:

Primeiro hotel W da América do Sul abre as portas na capital chilena

Sapatos pra viagem: o que colocar na mala?

terça-feira, agosto 11, 2009

sapato vermelho Louboutin
{Scarpin basiquinho Louboutin: desse mal não padeço. Sapato alto mal entra no meu guarda-roupa. Na mala de viagem, então… out!}

Li hoje um post ótimo de um blog americano que adoro xeretar, o das meninas do Go Green Travel Green. O tema é: Quais são os melhores sapatos pra levar em viagem?

Desculpem-me os leitores homens, que não devem achar muita graça no tema. Mas, mulherada, fala a verdade: a decisão mais difícil na hora de fazer uma mala não é QUE SAPATOS VOU LEVAR?

Eu sempre piro. Primeiro problema: eu adoro sapatos. E de personalidade – vermelho, estampado, de cor forte etc. Ou seja, típico sapato que não combina com qualquer roupa (quer dizer, típico sapato que deve ficar EM CASA quando a gente viaja).

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{Fofos, amados sapatinhos. Mas como faz pra combinar eles com a mala toda?}

Por isso mesmo, tentada a incluir pelo menos um ou dois desses nas viagens,  sempre quero levar o dobro do número razoável de pares para uma bagagem.

Segundo problema: eu nunca uso tênis (só tenho um e é pra ir pra academia). E tênis é um baita companheiro de viagem. Eu admito: nada pode ser tão confortável quanto ele. Só que eu me sinto um elefante branco saindo pra passear com toda aquela borracha e lona (gente, tênis é um troço muito feio, né não?)

Conclusão: o sapato é o item mais complicado da minha mala.

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{All star aberto: esse dubla como tênis. E gosto de usar. Mas que não é a mesma coisa depois de 5 horas batendo perna, ah, não é. A sapatilha larga  não incomoda, mas também não alivia}

As donas do blog gringo, super ecoturistas, começam ensinando que você vai ter que levar um chinelo – seja pra tomar banho no albergue, pra ir à praia ou “pra bater” em um destino de calor. Mas se você ainda vai fazer caminhadas maiores, a decisão é que papete usar – taí outra coisa feiosa. Eu já coloquei muita papete em mala, mas ando vetando ultimamente.

Para as blogueiras, o maior dilema é o que levar para lugares onde não faz tanto calor. O sonho da mulher viajante verde, slow, eco, o que quer que seja, é exatamente o que as meninas do blog procuram: um só sapato que ao mesmo tempo seja resistente pra caminhadas, confortável pra passear na cidade e bonito pra usar com um vestidinho no restaurante à noite.

Existe isso, minha gente?

O mais próximo que elas acharam do ideal:

ecco performance thalia
{O tal do Ecco Performance Thalia. Agora, como é que a criatura vai usar isso aí com vestidinho pra ir jantar, eu não sei}

O mais próximo que eu achei do ideal:

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{Sapatilha-tênis da Timberland que ganhei do namorado: boa pra bater de dia e simpática pra usar à noite. Mas não chega a ser, assim, uma sapatilha de bonita…}

Meu veredito: sapato multi-uso é lenda. Dizem por aí que existe, mas só acredito vendo. E nunca vi. Pra mim, é crucial levar um tênis (ou similar). É crucial levar uma sapatilha e/ou rasteirinha mais bacana  (já aprendi a comprar sapatilha sempre um número maior que o pé, e rasteirinha mais “fofa” em cima, pra servirem também pra “bater” pela rua, o dia todo). E tem que levar uma Havaiana ou similar, claro.

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convites e sapatos 018
{Pergunta do milhão: dá pra viajar com menos de 4 pares?}

E se for destino de frio? Puts, daí já fica difícil demais decidir. Alguém aí tem a solução?

Zanzibar e África do Sul: faltam 59 dias!

quinta-feira, julho 9, 2009

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Como planejar sua primeira viagem a um continente novo (e fascinante) sem cair na tentação da corrida-de-obstáculos? Como segurar a curiosidade monstro e manter suas convicções de slow traveler? Daqui a pouco menos de 2 meses eu embarco para a África pela primeira vez. Mal caibo em mim de tanta ansiedade. África! África! Finalmente! E sabe o quê? Tenho conseguido me manter fiel aos princípios zen-turísticos.

zanzibar sxc
{Quando topar com uma praia dessas… Passarás no mínimo uma semana lá. Foto de Vito Palagano}

O plano inicial era relativamente claro: metade da viagem só para descansar numa praia/ilha paradisíaca, em algum hotel intimista, charmoso e cheio de mordomias (mas nada de resortão de rede, argh). E a outra metade num país onde se possa saracotear um pouco mais, e COM safári.

PARTE 1

A ilha paradisíaca E culturalmente interessante foi fácil: Zanzibar. Na costa da Tanzânia (e parte dela), conhecida como a Ilha das Especiarias, ou a terra natal de Freddie Mercury, ela tem praias de mar turquesa, areia branquinha, e ainda uma mistura maluca de islamismo com África negra, ocupações do Sultanato de Omã e da Inglaterra, e uma semi-autonomia em relação à Tanzânia, com presidente e parlamento próprios para cuidar dos assuntos internos. Além de um litoral com pontos de mergulho absurdos, como o Mnemba Atol.

mergulho mnemba atol

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{Além da uma semana na praia, em cima e embaixo d’água… Separarás um par de dias para rodar pela capital histórica, Stone Town, com sua vila estilo medina, seus palácios e ruelas. Fotos do tanzanzibar.com}

Ok, a primeira parte ficou assim: 7 noites de praia na costa norte de Zanzibar (as melhores praias ficam lá) e mais 2 noites em Stone Town.

PARTE 2

Aí foi mais complicado. Safári na África é o que mais tem, tudo bem. Mas como é caro! O Delta do Okavango, em Botsuana, minha opção A, se mostrou um destino para milionários. Só o aviãozinho que leva da capital aos safari camps já chuta na casa dos 1000 doletas por pessoa. Facada também em qualquer acampamentozinho no meio do nada (eles são o máximo, mas…). Fora os vôos internos na África, nada práticos nem baratos. Assim, fica até fácil evitar a tentação do pinga-pinga – é preciso ter muito dinheiro pra fazer na África o muito se faz na Europa, aquela maratona de 10 cidades (em países diferentes) em 15 dias.

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{Quando vir o elefante em seu habitat natural… Passarás alguns segundos absorvendo a experiência, ANTES de sentar o dedo na máquina fotográfica como uma desvairada. Foto de Gil Ros}

Pois bem, Botsuana, Quênia e Tanzânia descartados, ficamos com a África do Sul, mais turística mas, espera-se, mais amigável em termos de $$. Já seria preciso fazer escala em Johanesburgo mesmo, então decidi que no bom e velho Kruger Park eu seria feliz. Mais um fim de viagem em Cape Town e back home. Assim começou a se desenhar a segunda metade da viagem.

cape town 
{Quando chegar a Cape Town… Esquecerás de procurar as semelhanças com o Rio. E tentarás entender do que se trata essa cidade, afinal. Foto de Wynand van Niekerk}

O problema era que mesmo assim meu alarme zen-turista começava a soar. Tinha muito trecho aéreo nessa viagem. Veja bem: São Paulo-Johanesburgo-Nairobi-Zanzibar (a conexão via Nairobi é mais constante e barata do que via Dar-es-Salaam, na Tanzânia). Ok, até aí depois disso eu passaria 9 dias de espreguiçadeiras e água morna,  sem sombra de cabine pressurizada. Mas depois seria corrido. Um dia pra Zanzibar-Nairobi-Johanesburgo. No dia seguinte, Johanesburgo-Kruger (ou pelo aeroporto de Nelspruit ou de Hoedspruit). Umas três noites lá. Depois um dia Kruger-Johanesburgo-Cape Town. Umas duas noites lá. Depois Cape-Town-Johanesburgo- São Paulo.

Tinha bem uns 5 dias só de deslocamento aéreo nessa viagem, pra uns 12 ou 13 de prazer. Proporção incômoda. Comecava a me perguntar: não seria melhor fazer algum trecho por terra na África do Sul? De carro até o Kruger? De Johanesburgo a Cape Town por terra? Mas e a mão inglesa? E as estradas do “meião” do país, seriam boas? Seguras? Ah, África é assim mesmo, me diziam alguns, tem que fazer muita escala, não tem jeito.

Até que, numa bela tarde… “Me” chega por e-mail uma apresentação em Power Point do Rovos Rail, trem histórico que cruza a África do Sul. O quê? Que paisagens são essas? Que vagão restaurante é esse? E que rota perfeita é essa: Pretória (que fica a 50 km de Johanesburgo) a Cape Town em três dias e duas noites?

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{Olhando pela janelinha do trem… Prometerás agradecer por estar vivendo a África por terra, de vila em vila, e não num acético e alienado trecho aéreo. Foto divulgação}

Isso era a glória. Eu conseguiria eliminar um dia idiota de peregrinação por aeroportos e dois trechos desconfortáveis pelos ares, e trocar por uma charmosa, lenta, e muito mais ecológica jornada de trem? Ainda cruzando o país de nordeste a sudoeste? Uhu!

Rovos rail cabine

rovos rail banheira
{O quêêêêêêêêêê? Vocês ainda têm banheiras dessas dentro das cabines – só 72 cabines – do trem? Cobiçarás a banheira retrô do próximo! Cobiçarás a banheira retrô do próximo!}

Paixão à primeira vista pelo Rovos Rail constatada (irremediável, sorry conta bancária), reservas devidamente feitas, veio então a grande provação para a minha fé na igreja slow. Para ficar 3 noites/4 dias no Kruger (fazer ele correndo estava fora de cogitação) e se adequar às datas de partida do Rovos Rail… era preciso abrir mão de Cape Town. Digo, desistir de conhecê-la. Ai. E sabe o quê? Abri mão. Cape Town será uma última noite da viagem, e vivê-la como se deve fica para a próxima.

Eu sei que vocês vão dizer que Cape Town é o máximo, e que ainda tem a rota dos vinhos, a rota jardim, os pinguins, os avestruzes e bla bla bla. Mas não é disso mesmo que se trata viajar devagar? Escolher algumas experiências, dar tempo a elas, e ter o desprendimento de deixar outras tantas para a próxima visita?

África, aqui vou eu. Apenas pela primeira vez.