O que é slow travel

o que é slowtravel

Quer ver só um teste? Você sente que teve um dia feliz em uma viagem quando:

A) Consegue fazer tudo o que foi planejado: visita todas as atrações pretendidas, come o prato que lhe recomendaram no mais novo restaurante estrelado do guia Michelin e até encontra o lugar secreto que, você leu aqui no blog, proporcionava o melhor ângulo para fotografar o monumento ban-ban-ban da cidade.

B) Passa um dia divertido no museu, no parque, no restaurante e na rua de compras, sem estourar o orçamento, e talvez até economizando uma graninha pra poder jantar à luz de velas na última noite.

C) Se perde na estrada e não consegue achar aquele mosteiro importante dos arredores da capital. Vai parar numa cidadezinha do subúrbio, até simpática, mas bem comum. Resolve ficar ali mesmo porque é o última dia da viagem. Acha um restaurante caseiro gostoso e fica três horas almoçando lá. Depois percebe que está no timing errado, já que tudo está fechado por causa da siesta. Caminha pelas ruelas vazias e testemunha coisas triviais como um tocador de gaita na sarjeta, um casal de namorados no banco da praça, e a coincidência do pôr-do-sol com o re-despertar das vitrines de lojas e das mesinhas dos bares na calçada.

Ficou entre A e B? Acha que o dia C foi meio banal, ou até um dia perdido? Então você também tem mania de produtividade em viagem.

É mesmo uma praga. É incontrolável, inconsciente. A gente passa o ano todo cumprindo prazos, metas, horários, gastos. A última coisa que quero esperar de uma viagem é que ela seja produtiva!

Viajar é se jogar em um mundo novo, estranhar gente diferente, amar manias incompreensíveis, tomar sustos, quebrar a cara. É descobrir um lugar encantador que não estava em nenhum guia (mesmo porque ele não tem o menor interesse pra mais ninguém, só teve pra você, naquele momento, por alguma razão absurda). O mosteiro histórico e o museu com a obra-prima do Picasso são só desculpas para viver tudo isso.

Ok. Confesso que mesmo quando passo um dia maravilhoso, simplesmente andando sem rumo por uma cidade desconhecida, eu também me pego pensando: “foi lindo, mas pena que não deu tempo de subir naquela torre que, afinal, é a torre mais alta das Américas”. Tento sempre uma resistência, mas não sou imune a nenhuma neurose coletiva.  

Só há uma solução: cortar esse mal pela raiz. Tem que ser radical. Como? Programe uma viagem de uma semana inteira em um lugar só. Nada de aproveitar-que-já-está-ali-mesmo-e-dar-um-pulo-ali-no-parque-vizinho. Sossegue. Se quiser ir pra uma cidade grande, então aumente o tempo pra um mês. E, mais importante, hospede-se em uma casa alugada, numa fazenda, no máximo uma guest house. Proibido hotel. E proibido alta temporada.

Pronto, daí sim, você vai passar uma semana viajando de verdade. Sem nenhuma obrigação a cumprir. Vivendo e absorvendo sua nova “casa” temporária.

Slow Travel. Ao menos uma vez na vida.

Não é uma grande idéia?

PS: Dê um pulo no site www.slowtrav.com pra se inspirar com essa comunidade de pessoas que gostam de viajar “devagar”. Eles escrevem ali seus relatos de viagens, postam suas fotos, e usam o mecanismo de busca de aluguel de vilas, apartamentos ou casas de fazenda, em vários continentes.

11 Respostas to “O que é slow travel”

  1. Around « Vou pra pasárgada ser amiga do rei Says:

    […] Outra coisa, slow travel… Não conhecia o termo, mas já praticava, ou pelo menos tentava…rs. Li a primeira vez sobre ele aqui […]

  2. filipa Says:

    Gostei muito!

  3. Hélio Says:

    Claudia,

    Ou então viaje com a casa nas costas, como os caramujos. Faço slow travel há 11 anos e nem sabia que isso existia.
    Moro num veleiro, me desloco a 5 nós (menos de 8 km/h, o mesmo que uma pessoa correndo), fico sempre muito tempo em cada lugar, o que me proporciona “entrar” na vida dos locais, mas a vantagem mesmo é não ter que arrumar e desfazer as malas.
    Curiosa com o estilo de vida? Veja este link: Zen e a arte de morar a bordo.
    Parabéns por dividir suas viagens e as belas imagens. Virei seu leitor.

    Bons ventos sempre,

    Hélio

  4. Natália M Gastão Says:

    Muito interessante e tentador! Fugir da loucura de viajar com uma agenda cheia…
    Adorei o post e o blog!

  5. umolharviajante Says:

    Adorei o conceito! já adicionei ao meu dicionário!😀

  6. Pirenópolis – o oposto do fast food « MaraCatu Weblog Says:

    […] perder em lugares desconhecidos. Fazer isso com a casa nas costas, como comentei no blog da colega Claudia Carmello, é mais fácil […]

  7. Cleci Says:

    Olá:
    meu marido e eu viajamos por esse Brasilzão de motorhome. Tem outra rotação uma viagem assim: sem hora para sair ou chegar, a qualquer momento e sempre estamos em casa. Hoje, 02 de out estamos em Floripa voltando para casa depois de 80 dias na estrada. Moramos em Morro Reuter (RS), serra gaúcha. Temos todo o tempo do mundo para aproveitar as diferentes paisagens que temos em nossa janela a cada café-da-manhã.
    Abraços
    cleciavanzi.blogspot.com
    Cleci e Silvano

  8. Aureliana Paula Florêncio Says:

    Olá Cláudia,
    Eu moro em Paris há 6 anos. Estou terminando o meu mestrado em Turismo cultural na Sorbonne. Adorei o seu blog, pois a minha tese colocará o turismo de massa em causa e a sua “filosofia” vai no mesmo sentido que os meus estudos.
    Gostaria muito de conversar com você. Se puder, entre em contato. Muito obrigada e parabéns.
    Aureliana

  9. FFF Says:

    Eu tenho viajado a “medium speed”, mas espero reduzir ainda mais na próxima. Provavelmente para a Provença. Ótimo blog!

  10. Edgar Werblowsky Says:

    Muito bem Cláudia … quero saber mais de você …
    Edgar

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